segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Jornalistas são ameaçados de morte em Curitiba

(Relato do repórter-cinematográfico João Carlos Frigério sobre ameaça de morte sofrida por ele e pelo repórter Jotapê, do Programa 190 - contato@plantao190.com.br, http://twitter.com/joaofotografo)

“Na noite do dia 29, sexta-feira, aconteceu no Bairro Barreirinha uma chacina que vitimou seis (06) pessoas. Eu e o repórter Jotapê fomos até o local e fizemos a matéria sobre a chacina, porém, devido às fortes chuvas daquele horário, não conseguimos completar a matéria na noite.
No fim da tarde de sábado (30), resolvemos retornar ao local. Ao chegarmos, nos deparamos com várias pessoas na rua. Pareciam ser moradores, e no final da Rua Albino Blum, notei um rapaz suspeito e avisei o Jota, dizendo pra ficar esperto com o "nóia". Fomos descendo a rua e o sujeito em questão veio em nossa direção. Perguntou de qual emissora nós éramos. Respondi que era do 190. Foi quando ele sacou uma pistola, que deveria ser uma .40 ou uma 9mm e colocou na minha cabeça e dizendo que ia me matar e matar o Jotapê. Ele nos foi empurrando para o local da chacina e dizendo que ia nos queimar. Disse ainda que nós havíamos ido ali para denunciar o local como ponto de venda de drogas. Em um momento ele empurrou o Jota e apontou para a cabeça dele. Neste momento eu acreditei que ele fosse atirar. Foi quando começamos a implorar para que ele não fizesse isso, pois éramos trabalhadores. Mantivemos a calma para tentar contornar a situação e falei a ele estar ali para ajudá-lo, indagando sobre o que precisava.
Completamente fora de si, ele continuou nos empurrando tentando nos levar ao local da chacina, e parecia querer mesmo nos matar. Quando chegamos à ponte, a cerca de vinte metros do local da chacina resolvemos não ir mais para dentro, pois sabíamos que se passássemos da ponte, não haveria mais retorno. Foi quando achei que ele fosse nos matar ali mesmo. Eu então tentei acalmá-lo, dizendo que nós estávamos indo embora e que o deixaríamos em paz. Ele, ainda muito alternado, foi aos poucos cedendo e disse que ia nos matar ali mesmo. Eu então disse que estava indo embora, que ia deixá-lo em paz, e fui meio que saindo foi então que ele cedeu e nos deixou ir, mas nos xingando e ameaçando.
Não dei as costas a ele até chegar a uma distância segura, acelerei o passo e fui até o carro. O Jotapê veio mais devagar. Entramos no carro e saímos, não acreditando ainda que estávamos vivos. Sei que erramos ao chegar no local sem escolta policial. Porém só havíamos decidido sair do veículo caso o local estivesse seguro. E a impressão era de segurança, pois havia várias pessoas na rua. O que mais me assusta é o fato de, em menos de 24 horas, após uma chacina que vitimou seis pessoas o local já estar dominado por traficantes. E a única certeza que tenho é que saí dali vivo graças a Deus.”

2 comentários:

André Gusmão disse...

Curitiba não é mais a mesma, tá virando terra sem lei, terra de ninguém. Como é que as autoridades e o governo deixaram essa bela cidade chegar ao ponto que está chegando?
Esse ano tem eleição no Estado. É hora do povo do Paraná abrir os olhos antes que seja tarde demais.

Kiko Arquer Thomé disse...

João Carlos. Realmente deves agradecer por sair de lá ileso, pelo menos fisicamente. A maioria das pessoas julgam a violência sem embasamento e compreensão. Traficantes violentos são consequências sociais de uma má administração pública, excessos de indução publicitária de empresas particulares e de frustrações traumáticas na infância. Em locais dominados por traficantes agressivos não há limites sociais nem valores humanos básicos, assim como em locais que tentam curar a violência com violência. Com certeza, passaste por um dos momentos mais difíceis que o ser humano conhece, que é: Lutar contra os instintos de um ser perturbado e com poderes de destruição, somente com as palavras e com a esperança de um resquício de sentimento humano.

Parabéns.