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terça-feira, 3 de abril de 2012

Sindijor-PR exige pagamento de gratificação à Editora Gazeta do Povo

Desde o dia 26 de março de 2012 está em análise a Ação Coletiva iniciada em 2003 pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, em nome dos empregados jornalistas contra a Editora Gazeta do Povo S/A. O Sindijor-PR já solicitou imediata intimação da empresa para pagamento, mediante depósito judicial e penhora de bens, da dívida com os trabalhadores. O desfecho agora está nas mãos da justiça, já que foram notórias as sucessivas tentativas, por parte da empresa, em procrastinar o andamento do processo. Dessa forma, o Sindijor-PR requereu o prosseguimento dos atos para o cumprimento da sentença e satisfação dos créditos aos trabalhadores jornalistas.

Em novembro de 2011, um perito contador nomeado pela justiça apresentou cálculos atualizados pela secretaria da 15ª Vara do Trabalho de Curitiba e em fevereiro e março de 2012 as partes foram intimadas para se manifestar sobre os cálculos. A 15ª Vara havia designado duas audiências no ano passado. A primeira no dia 22 de agosto quando Sindijor-PR e Gazeta do Povo trataram do pagamento das diferenças da gratificação de aniversário (então chamada de 14º salário), porém a empresa novamente procrastinou o desfecho da Ação. Outra mesa de negociação foi marcada para o dia primeiro de setembro do ano passado. Mais uma vez não houve acordo na tentativa de conciliação realizada pelo Poder Judiciário.

Entenda a Ação

A Ação Coletiva iniciou em 2003 pelo Sindijor-PR em nome dos empregados jornalistas da Gazeta do Povo que recebiam, em fevereiro, um salário a mais por ocasião do aniversário de fundação da Editora. A sentença de procedência foi proferida em abril de 2004, pela 15.ª Vara do Trabalho de Curitiba, quando a Gazeta foi condenada a pagar as gratificações anuais, a partir de fevereiro de 2002, com juros e correção monetária.

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em decisão publicada em fevereiro de 2006, manteve a condenação. Em setembro de 2010, o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, negou provimento ao recurso da Gazeta e o processo retornou para a 15.ª Vara do Trabalho de Curitiba em fevereiro de 2011, quando iniciou a fase de execução (cálculos).

quarta-feira, 28 de março de 2012

Comissão da Verdade já!

Movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda voltam à Boca Maldita para exigir Comissão da Verdade. Amanhã (29), às 17h, está marcada uma nova manifestação pela instalação imediata da Comissão da Verdade. Os manifestantes também vão convidar a população para o lançamento do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, que acontece no dia 12 de abril, no Teatro da Reitoria da UFPR.

Na última segunda (26), diversas organizações sindicais e populares ocuparam a Boca em ato semelhante. Em Fortaleza, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Belém ocorreram ações diante de residências e locais de trabalho de ex-policiais e ex-militares acusados de tortura, estupro e assassinato de presos políticos durante a ditadura militar (1964-1985). Tais ações, organizadas pelo Levante Popular da Juventude, contaram com o apoio de sindicatos e partidos de esquerda. Em Curitiba, foram expostos banners com o nome dos mais violentos torturadores que atuaram no Paraná. Alguns jovens declamaram poemas em homenagem a militantes torturados e assassinados pela ditadura.

A Comissão da Verdade foi criada no final do ano passado, mas o governo federal ainda não a instituiu oficialmente. Essa demora, na visão dos movimentos, permite que os clubes militares e outros grupamentos que sustentaram o golpe e participaram da repressão se manifestem de forma cada vez mais agressiva contra a sua instalação. Também nesta quinta, o Clube Militar do Rio de Janeiro promove mais um evento para comemorar o golpe de 64 e reafirmar sua posição contra as investigações. O Cel. Brilhante Ustra, notório torturador, é um dos organizadores da comemoração.

Para as organizações de esquerda, mesmo passados quase 30 anos, é preciso que o Brasil inicie o processo de apuração e punição dos crimes, como vem sendo feito na Argentina, no Chile, no Uruguai, entre outros países.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Uso da internet pode melhorar a comunicação sindical

Por Fernanda Regina - Megafone (www.megafone.inf.br)

Não é nenhuma novidade dizermos que a informação é uma das principais ferramentas na construção da cidadania de um povo. A internet é hoje uma das maiores fontes de informação, no entanto, nem sempre o tipo de comunicação atende aos diferentes públicos.Este não atender aos diferentes públicos está intimamente ligado às técnicas de jornalismo utilizadas.

Um bom exemplo é a comunicação sindical. E como os sindicatos têm organizado sua rede de comunicação entre suas respectivas classes? O jornalismo sindical deve ser especializado e assim, atuar competitivamente diante das demais ofertas de informação.

O Megafone realizou uma pesquisa sobre sites de sindicatos de trabalhadores de Foz do Iguaçu. Uma das questões observadas foi a falta de periodicidade de alguns, o que muitas vezes faz com que o usuário diminua a quantidade de acessos. Dos 19 sindicatos pesquisados, 13 possuem site, no entanto, nem todos estão atualizados e muitos contêm apenas informações institucionais, o que faz com que o internauta facilmente procure outros portais.

Um dos mais importantes ambientes de estudo da comunicação popular no Brasil, o NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação aponta para a comunicação sindical como uma determinante ferramenta na luta contra a hegemonia. Durante o curso anual do núcleo, realizado em novembro do ano passado no Rio de Janeiro, uma das principais discussões foram as formas de comunicação atualmente utilizadas pelos sindicatos.Apesar dos meios tradicionais como jornais, panfletos e revistas ainda figurarem com bastante valor nesta área, a presença da internet no cotidiano do trabalhador é algo real e merece ser explorada como ferramenta não apenas de informação, mas também de formação social.

O uso de redes sociais como Twitter e Facebook, também pode colaborar com a eficácia na comunicação entre sindicato e trabalhador. O uso da internet pelos sindicatos não necessita ter apenas temas ligados ao setor, ele pode também atuar como meio de atualização jornalística, através de uma visão especializada, diferente da oferecida pelos grandes grupos midiáticos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CCT dos Jornalistas: compasso de espera

Na tarde de hoje (19), em Curitiba, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e do Norte do Paraná reuniram-se com empresários dos meios de comunicação do Estado para nova rodada de negociação. O objetivo era buscar consenso em torno da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.


Ao convocar os trabalhadores na última sexta-feira (16/12), esperava-se discutir a contra-proposta da categoria (aumento real de 10%, adoção de vale alimentação, incluir cláusula para implantar plano de saúde). Mais uma vez, no entanto, os empresários mantiveram postura inflexível. Embora reconheçam que os trabalhadores estão cedendo, demonstrado maturidade na mesa de negociação, o discurso patronal seguiu a linha de “crise sem fim”, negando as reivindicações.


Duas novas propostas foram apresentadas: a inclusão de uma cláusula que possibilita a negociação (empresa-Sindicato de trabalhadores), e concessão de aumento real. O momento estarrecedor foi dado pelo representante do sindicato de Rádio e TV de que as rádios paranaenses atuam na ilegalidade ao não cumprirem, em sua grande maioria, o piso dos jornalistas.


Ao final da conversa e convencidos pelos números absolutos demonstrados pelo Dieese, os empresários aceitaram consultar a base e agendaram nova reunião para quarta-feira, dia 21, às 14h30.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Demissões na TV E-Paraná: Sindijor-PR defende concurso público

Na última semana, a TV E-Paraná demitiu 40 funcionários contratados após teste seletivo através de um convênio com a Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar). Há inclusive jornalistas grávidas entre os trabalhadores demitidos. É histórica a defesa do Sindijor-PR de concurso público para o cargo de jornalista, o que não acontece desde 1984. Os últimos contratados por concurso estão prestes a se aposentar.

Usada com fins políticos desde a gestão Requião, a TV do governo do Paraná protagonizou no último mês de outubro um lamentável episódio de censura, quando a transmissão ao vivo de um discurso da presidenta da República Dilma Rousseff foi cortada de forma abrupta e até hoje não explicada.

Se a não renovação do convênio com a Funpar é uma manobra do governo Richa para transferir a gestão da E-Paraná para uma Organização Social (OS), cuja lei foi aprovada a toque de caixa pelos deputados estaduais, saberemos em 2012. O Sindijor-PR considera inadmissível não haver concurso público na TV E-Paraná. Emissoras similares, como a TV Brasil, promovem regularmente concurso para seus quadros profissionais.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná discorda frontalmente da política de terceirização de serviços públicos via organizações sociais. Essa prática que precariza as relações de trabalho, prejudica o Estado e favorece interesses privados. Há necessidade de uma gestão democrática à frente de uma emissora pública como é a TVE, uma alternativa é a implantação de um conselho de comunicação, além do concurso público.

Direção do Sindijor-PR

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amanhã (faça chuva ou faça sol): 2º Panfletaço do Sindijor





O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná está em campanha salarial por aumento real da categoria e convida a todos para a mobilização de amanhã, dia 10 de dezembro, às 10h, na Boca Maldita em Curitiba. É a 2ª Panfletagem de Fim de Ano do Sindijor PR. Se mobilize! A luta é de todos. Confira o perfil na rede social: facebook.com/sindicatodosjornalistas, além da página /sindijor. No twitter use as hashtags #JornalistaGanhaMal e #DezPorCentoJa, para acompanhar nossas reivindicações. Também nossas notícias no site sindijorpr.org.br e no blog acordajornalista.blogspot.com/. Assista aqui ao vídeo do Sindijor.

Entenda a campanha:

Em 2011, a negociação para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho dos jornalistas recebeu novamente o ‘golpe patronal’ – a tentativa do rebaixamento do piso da categoria. No Paraná, a proposta da empresas de piso diferenciado por região ou para recém formado foi rechaçada pelos jornalistas em assembleias em Curitiba, Cascavel e Ponta Grossa, além de Foz do Iguaçu, que ouviu da sua base um NÃO! O Sindijor PR reafirma que continuará defendendo a Pauta de Reivindicações que inclui, além do reajuste da inflação, o aumento real de 2,70% (calculado sobre o lucro das empresas nos últimos três anos), plano de saúde, vale alimentação e alterações na CCT.

Este mês o Dieese divulgou o mínimo necessário atualizado para uma família de quatro pessoas: R$ 2.349, 26. Esse valor é superior ao piso do jornalista, que é de R$ 2.151,56. Passados mais de dois meses do encaminhamento da pauta de reivindicações, até agora nada! O papo patronal é sempre o mesmo: “nossas empresas estão com dificuldades e não podemos dar nada além da inflação”. Se juntar inflação e aumento real, veja um breve histórico das outras categorias: bancários (10% em 2011), petroleiros (10%), professores do ensino do Paraná (12%) e trabalhadores da construção civil (11,8%). Isso prova a legitimidade da mobilização dos jornalistas para garantir aumento real.

Quem ganha com isso?

O descaso e a depreciação salarial favorecem as empresas. Para os patronais, quanto menos direito mais lucro. Isso acontece há décadas e é um dos motivos para uma estagnação salarial da categoria.

Quem perde com isso?

Você, cidadão ou cidadã. Os telespectadores, os ouvintes e os leitores. A luta é de todos e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor PR), há 65 anos, busca melhorias para o jornalista. Portanto, ao informar à população que a categoria está em campanha pelo aumento real, vale alimentação (caso a empresa não tenha) e uma cláusula que garanta o pagamento de 90% do plano de saúde (caso a empresa não ofereça), também relata que a maioria das empresas não oferece qualquer um desses benefícios aos seus trabalhadores.

A todos os jornalistas, mobilização amanhã! #JornalistaGanhaMal




Amanhã (10) a Boca Maldita em Curitiba será palco do segundo ‘panfletaço’ deste fim de ano. A depreciação da profissão não pode ser omitida. Há dez anos o piso do jornalista era de dez salários mínimos, hoje é menor que quatro.

Nossa dor não sai no jornal e quem ganha com isso?

O descaso e a depreciação salarial favorecem as empresas. Para os patronais, quanto menos direito mais lucro. Isso acontece há décadas e é um dos motivos para uma estagnação salarial da categoria.

Quem perde com isso?

Você, cidadão ou cidadã. Os telespectadores, os ouvintes e os leitores. A luta é de todos e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor PR), há 65 anos, busca melhorias para o jornalista. Portanto, ao informar à população que a categoria está em campanha pelo aumento real, vale alimentação (caso a empresa não tenha) e uma cláusula que garanta o pagamento de 90% do plano de saúde (caso a empresa não ofereça), também relata que a maioria da de saúde (caso a empresa não ofereça), também relata que a maioria das empresas não oferece qualquer um desses benefícios aos seus trabalhadores.

Confira o vídeo da mobilização: http://www.youtube.com/watch?v=npr5sTG531E

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Mobilização dos Jornalistas Paranaenses. A luta é de todos!


















Para jornalista 10% é 10! Aumento real já!


O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná está em campanha salarial por aumento real da categoria. E convida a todos para a mobilização do dia 10 de dezembro, às 10h, na Boca Maldita em Curitiba. É a 2ª Panfletagem de Fim de Ano do Sindijor PR. Se mobilize! A luta é de todos.


O Sindijor PR agora tem seu próprio perfil na rede social: facebook.com/sindicatodosjornalistas, além da página /sindijor. No twitter use as hashtags #JornalistaGanhaMal e #DezPorCentoJa, para acompanhar nossas reivindicações. Também nossas notícias no site sindijorpr.org.br e no blog acordajornalista.blogspot.com/.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mobilização continua! Dia 10 de dezembro, 10% já!











O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná iniciou campanha de aumento real nas redes sociais desde primeiro de dezembro. Na manhã do dia 03 iniciou a mobilização de rua na Boca Maldita, em Curitiba, e no próximo sábado (10/12) acontece a 2ª panfletagem. Não esqueça! Sábado (10/12) às 10h será mostrado à sociedade que os jornalistas ganham mal.


Há dez anos o piso da categoria era de dez salários mínimos, hoje está menos de quatro. O valor é menor que o piso do Dieese! E o pior! Nossa dor não sai no jornal. Quem perde com isso? O cidadão ou cidadã, os telespectadores, os ouvintes e os leitores. Essa mobilização é de todos, não esqueçam! Em legítima defesa, venha participar.


A categoria quer aumento real. Chega desse descaso patronal. A resposta está sendo dada em manifestações para informar à população que a categoria luta pelo aumento real, vale alimentação (caso a empresa não tenha), uma cláusula que garanta o pagamento de 90% do plano de saúde (caso a empresa não ofereça). A maioria das empresas não oferece qualquer desses benefícios aos seus trabalhadores.


Facebook


O Sindijor PR agora tem seu próprio perfil na rede social, seja amigo dos jornalistas paranaenses: http://www.facebook.com/sindicatodosjornalistas, além da página /sindijor. No twitter use as hashtags #JornalistaGanhaMal e #DezPorCentoJa, para acompanhar nossas reivindicações.


Salário Mínimo

Hoje o Dieese divulgou o mínimo necessário atualizado para uma família de quatro pessoas: R$ 2.349, 26. Esse valor é superior ao piso do jornalista de R$ 2.151,56. Veja aqui o novo cálculo.


Foto: Valquir Aureliano

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Jornalista! É hora de mobilização por aumento real já!




























A hora é agora! Os jornalistas já estão em campanha nas redes sociais e amanhã (03/12) estaremos nas ruas. Sábado, às 10h na Boca Maldita, em Curitiba. Precisamos mostrar à sociedade que os jornalistas ganham mal. Há dez anos o piso da categoria era de dez salários mínimos, hoje está menos de quatro. O valor é menor que o piso do Dieese! E o pior! Nossa dor não sai no jornal. Quem perde com isso? O cidadão ou cidadã, os telespectadores, os ouvintes e os leitores. Essa mobilização é de todos, não esqueçam! Em legítima defesa, venha participar. Jornalista ganha mal, quer respeito e aumento real.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Hora de mobilização. Jornalistas querem aumento real já!















Após pouco mais de dois meses de encaminhada a pauta de reivindicação, os jornalistas do Paraná estão cansados da displicência dos patrões, que insistem em dizer que suas empresas estão com dificuldades e que não podem dar nada além da inflação. A categoria prossegue na luta por aumento real e já definiu atividades, nas próximas semanas, para denunciar o descaso patronal. Mesmo contrariados pelo absurdo de ter que reapresentar uma proposta que nos custou nove meses sem receber a reposição da inflação, os dirigentes convocaram assembleias para consultar os Jornalistas sobre a possibilidade de piso diferenciado. A resposta foi curta e seca: NÃO! Piso reduzido para o recém formado: NÃO!


A resposta virá a partir de hoje em manifestações nas quais os jornalistas vão informar à população que a categoria luta pelo aumento real, vale alimentação (caso a empresa não tenha), uma cláusula que garanta o pagamento de 90% do plano de saúde (caso a empresa não ofereça). A maioria das empresas não oferece qualquer desses benefícios aos seus trabalhadores.


Tuitaço pelo aumento real


Em “anti comemoração” pelos dois meses sem reposição prevista para 1.º de outubro, o Sindijor-PR começou hoje (01/12) uma campanha no twitter com as hashtags #JornalistaGanhaMal e #DezPorCentoJa. Também haverá mobilização nas ruas, esse sábado (03/12) e no próximo (10/12) às 10h na Boca Maldita em Curitiba. Essa estratégia tem o objetivo de mostrar à sociedade que os jornalistas paranaenses, de forma geral, não são bem remunerados. A história mostra que a depreciação da profissão é voraz. Há dez anos o piso do jornalista equivalia a dez salários mínimos, hoje recebe o equivalente a menos de quatro. Já os lucros das empresas de comunicação estão consolidados e em ascensão, segundo dados do Dieese e do Projeto Inter Meios. E é por isso que nossa dor não sai no jornal, as redações ficam cada dia mais enxutas. Quem perde com isso? O cidadão ou cidadã, os telespectadores, os ouvintes e os leitores.


Assembleias dos Jornalistas


As Assembleias em Curitiba, Cascavel e Ponta Grossa mostraram a insatisfação com a postura patronal em tratar da questão salarial de uma forma tão lenta e sem novidade. Também em Foz do Iguaçu a proposta dos empresários foi rechaçada pela base. Hoje abrimos o jornal e vemos reivindicações das mais diversas categorias trazendo resultados acima da inflação. Juntando inflação e aumento real, os valores foram de: bancários (10% em 2011), petroleiros (10%), professores do ensino do Paraná (12%), trabalhadores da construção civil (11,8%). Isso prova a legitimidade da mobilização para garantir aumento real, pois só o ano passado, segundo Projeto Inter Meios, a margem de lucro dos empresários de comunicação foi superior a 19%. O Dieese aponta que o Salário Mínimo Necessário para uma família de quatro integrantes deveria ser de R$ 2.227,53. O piso do jornalista é de R$ 2.151,56. E o mais grave: nossa dor não sai no jornal.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sem novidades, negociação emperra



Na tarde de hoje (17), os jornalistas do Paraná voltaram a se reunir com os sindicatos patronais de jornais, TV e rádio. Mais uma vez, a proposta repassada aos representantes da categoria aponta para a mesmice: renovação da Convenção Coletiva de Trabalho, reposição do INPC/IBGE (7,30%), cláusula que garanta discussão de implantação de vale alimentação e plano de saúde, cláusula de formação de uma comissão paritária (trabalhadores e empresários) para discutir irregularidades de veículos impressos que funcionam sem produção de conteúdo. Fora isso, os patrões permaneceram reunidos para formalizar uma proposta de piso diferenciado regional ou para a contratação de profissionais recém formados.


Assim que receber a proposta patronal, os Sindicatos do Paraná e de Londrina deverão analisar a mesma e convocar assembleias para ouvir a base. “Não podemos decidir apenas numa proposição superficial. Da forma como foi colocada na mesa, será amplamente rejeitada pela categoria, visto que a negociação anterior foi de rechaçar qualquer proposta de piso diferenciado”, revelou Márcio Rodrigues, presidente do Sindijor-PR.


Os Sindicatos de Jornalistas do Paraná e de Londrina e Região insistem na proposta de aumento real, para recompor perdas acumuladas ao longo de quase uma década e meia. No entanto, a mesma cantilena de que os jornais estão passando por uma crise segue sendo a tônica dos empresários. Para discutir essas e outras questões e saber como conduzir as negociações desse ano, o Sindijor-PR convoca os jornalistas do Paraná para assembleias a serem realizadas a partir da próxima quinta-feira, dia 24 de novembro, em Curitiba, em sessão a ser realizada à noite. Além da sede, haverá sessões de assembleias em Ponta Grossa (sexta-feira, 25) e em Cascavel (sábado, 26). Em Foz do Iguaçu, ainda não foi confirmada a data.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Jornalistas garantem data-base


A negociação da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho dos jornalistas paranaenses começou como nos outros anos: os empresários tentando rebaixar o piso da categoria. A inovação neste ano é a criação de um piso menor para os recém-formados. Além, é claro, da redução para profissionais do interior.

O Sindijor-PR deixou claro que a negociação não avançará se os patrões insistirem nessa proposta. “Queremos aumentar os direitos dos trabalhadores e não diminuí-los”, disse o presidente do Sindicato, Márcio de Oliveira Rodrigues.

A mesma opinião foi reforçada por Ayoub Ayoub, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná. “Estamos vivendo uma revolta dos profissionais do Rio de Janeiro que discutem a mesma proposta. Reação que surpreendeu a própria categoria”, destacou.

A proposta de piso diferenciado foi rechaçada pelos jornalistas paranaenses na negociação da CCT do ano passado, que se estendeu por mais de nove meses, resultando na conquista do aumento real. “Em assembleias lotadas em todo o Paraná a categoria reforçou o não à redução do piso. Para nós, esse tema é vencido, não discutiremos a redução”, reafirma Márcio.

Liderados pelos empresários Paulo Pimentel e Guilherme Cunha Pereira, os sindicatos patronais (jornais e revistas; e TV e rádio) negaram todos os itens da pauta apresentada pelos trabalhadores. Alegam que as empresas não têm condições de arcar com as despesas. No fim da negociação, os empresários acabaram garantindo a data-base dos jornalistas em outubro e o pagamento da inflação de 7,30% do período (outubro de 2010 até setembro de 2011).

O Sindijor-PR reafirma que continuará defendendo a Pauta de Reivindicações que inclui, além do reajuste da inflação, o aumento real de 6,77% (calculado sobre o lucro das empresas nos últimos três anos), plano de saúde, vale alimentação e alterações na CCT.

Uma nova reunião será agendada ainda no mês de novembro para continuar a negociação. Até lá, os jornalistas esperam respostas concretas das empresas.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Jornalistas pernambucanos em greve

Tudo começou em assembleia realizada na última segunda-feira (07), a continuidade ou não da paralisação ficou agendada para hoje (09) pela manhã, porém a reunião para decidir diretrizes da paralisação dos jornalistas de Pernambuco foi adiada. Isso devido ao convite vindo dos patronais para uma reunião. A assembléia foi remarcada para a próxima sexta-feira (11), ao meio dia, na sede do Sindicato dos Gráficos de Pernamabuco.

A greve dos jornalistas de Pernambuco iniciou dia 07 de novembro. Agora, com uma nova reunião marcada, os jornalistas esperam definir novos rumos. Segundo o site www.ombudspe.org.br, que cobre o andamento da paralisação, o principal entrave ao acordo é a chamada “cláusula do diploma”, que obriga empresas de comunicação a contratarem profissionais formados para as vagas de jornalistas. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas do Estado de Pernambuco (SinjoPE), o patronato recusa-se a discutir esta condição.

Votação

Na votação, 117 presentes optaram pela greve, enquanto 24 posicionaram-se contra. A principal demanda do sindicato é a manutenção da cláusula que obriga a contratação de jornalistas com diploma. De acordo com o SinjoPE, as empresas de comunicação não tem demonstrado interesse em negociar. Durante o encontro, os jornalistas também manifestaram apoio aos gráficos, que estão em greve desde a última sexta-feira (04) e que recentemente foram chamados para negociar a volta ao trabalho, mas que já afirmaram que mantém os braços cruzados se o pessoal da redação resolver mesmo parar.

Segue entrevista ao site OmbudsPE, de Cláudia Eloi, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de Pernambuco, explicou a atual situação dos jornalistas pernambucanos (esta entrevista foi publicada na segunda-feira 04 – antes da assembleia de hoje, porém vale como referência para as mesmas reivindicações em outros estados).

OmbudsPE- Por que os jornalistas decidiram pelo estado de greve?

Cláudia Eloi- Pela intransigência dos patrões. Eles só oferecem a inflação (7,32%) e insistem em retirar a cláusula do diploma em nosso acordo coletivo.

OmbudsPE - E o que os jornalistas querem?

Cláudia Eloi- Queremos negociar. Os gráficos (que estão de braços cruzados desde a última sexta-feira, dia 4) estão dando o exemplo de que unidos eles são respeitados.

OmbudsPE - Se eventualmente a categoria resolver pela paralisação, vai ser fundamental o apoio da sociedade. Como vocês esperam dialogar com as pessoas se a greve de vocês não sai no jornal?

Cláudia Eloi - Vamos usar os meios que dispomos. A tribuna da Assembleia Legislativa, da Câmara do Recife, vamos para as ruas e usar as redes sociais. Mas a greve é se eles não quiserem negociar. Teremos nova assembleia com a categoria na quarta-feira para decidir os rumos do movimento.

OmbudsPE – Você acredita em algum fato novo daqui pra quarta-feira? Acha que o patronato vai negociar nesses dois dias?

Cláudia Eloi - Tudo é possível. Vale salientar que estávamos negociando na DRT e o mediador de lá, Dr. Francisco, disse que não há condições mais de ser o mediador, porque os patrões não queriam ceder em nada. Eles não querem analisar nenhum item de nossas propostas. Apenas retirar a cláusula do diploma e oferecer a inflação. Isso não é negociar.

OmbudsPE – Em 1990 houve um movimento histórico em Pernambuco que desencadeou numa greve de 14 dias de gráficos, jornalistas e radialistas. Você acha que a categoria está fortalecida para um movimento daquele tamanho?

Cláudia Eloi - Os tempos são outros. A gente sabe disso. Mas nunca deve subestimar uma categoria que vem dando seu suor o tempo todo e não tem nenhum reconhecimento numa negociação. Os gráficos estão aí para mostrar isso. Volto a insistir. Queremos negociar de verdade.

SindiGraf-PE volta ao trabalho, mas se solidariza com os jornalistas

Os gráficos, que haviam parado há cinco dias, retornaram ao trabalho após acordo com as empresas e conseguirem um aumento de 10% para todos os profissionais dos jornais, pagamentos pelos dias de trabalho e a garantia de que não haverá represálias aos grevistas. “Fomos vitoriosos”, disse Iraquitan Silva, presidente do SindGraf-PE, explicando que “durante todos estes dias, pudemos ter a experiência da luta dos trabalhadores contra o capital. As empresas gastaram muito, trouxeram gente de outros estados para furar nossa greve, colocaram jornais horríveis nas ruas, mal impressos. No final, nós vencemos e também o povo pernambucano, que tem novamente jornais de qualidade nas bancas”. Porém o presidente do Sindicato afirmou manter o compromisso de solidariedade com os jornalistas ainda em campanha salarial. “Sabemos da importância que tem a união e compreendemos que nosso movimento foi importante para a decisão do estado de greve nos colegas das redações. Se eles resolverem que tem que parar, pararemos juntos.”

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sindijor recebe convite para reunião com patronais

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor PR) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná receberam, nesta terça-feira (01), o convite para reunião com o Sindejor (Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Estado do Paraná). Mesmo não apresentando contraposta às reivindicações dos jornalistas, a reunião ficou marcada para o dia 10 de Novembro às 15 horas, no sede do sindicato patronal (Rua Mal. Deodoro, 857 – 13º andar, sala 1306). Na pauta: Negociação dos Jornalistas 2011/2012.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Esforço concentrado para incluir PECs do diploma

A FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Grupo do Trabalho – Coordenação Nacional da Campanha pelo Diploma – intensificam ações para incluir as PECs 386/09 e 33/09 nas “janelas de votação” da Câmara e do Senado, que ocorrerão em novembro. A Frente Parlamentar Mista em Defesa do Diploma e os sindicatos em todo Brasil, também preparam atividades e ampliam debates.

Todos que apóiam o movimento são orientados a entrar em contato com senadores e deputados federais dos seus estados, com o objetivo de pressionar-los para o ingresso das PECs nas “janelas de votação”, que são espaços na pauta do plenário das duas casas (Câmara e Senado). Aqui você confere a petição pública pela aprovação das propostas, que conta com mais de nove mil e setecentas assinaturas.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sindijor-PR critica TV E-Paraná por censura a Dilma

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor-PR) repudia a cobertura seletiva e enviesada promovida ontem (13) pela TV E-Paraná, que cortou sua transmissão ao vivo momentos antes do discurso da presidenta da República, Dilma Rousseff. A emissora veiculou a íntegra dos discursos do prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, e do governador do Paraná, Beto Richa. Na sequência, quando Dilma anunciaria os investimentos da União no futuro metrô de Curitiba, o canal simplesmente retomou sua programação normal (o programa infantil "Cocoricó"). Só voltou a transmitir o discurso da presidenta mais de dez minutos depois, quando o corte abrupto já era alvo de críticas em redes sociais.


A mesma emissora que contrata jornalistas pagando cachê ao invés de salários e direitos trabalhistas (descumprindo assim a legislação que exige concurso público), repete a mesma grave conduta observada nas últimas gestões do Estado: o uso da máquina pública em favor de um grupo político.


O Sindijor-PR repudia a censura, exige concurso público para a formação de um quadro próprio de trabalhadores da emissora e a implantação de um Conselho de Comunicação para debater e avaliar a programação da TV. Lamentamos mais essa prática antijornalística da direção da emissora, aliás a única que não cobriu nada a respeito do Escândalo Derosso, cuja pivô, a esposa do presidente da Câmara de Curitiba, ocupa um cargo comissionado na própria TV E-Paraná.


Os paranaenses merecem respeito. E os jornalistas do Paraná não compactuam com esse tipo de conduta à frente de uma emissora que deveria servir ao interesse público, e não ser instrumentalizada para fins pessoais ou político-partidários.

Segundo Ângela Luvisotto – Diretora de Jornalismo da TV E-Paraná – na transmissão “tivemos sim problemas técnicos por causa do sinal da Radiobrás, mas transmitimos todos os discursos – presidente, governador, prefeito, coletiva de imprensa e chegada da presidente”.

Sindijor PR participa de debate na UniBrasil

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor PR), representado pela Diretora Administrativa Relacionada a Professores e Estudantes – Silvia Calciolari, participou, no início da semana, de debate na Faculdades Integradas do Brasil – UniBrasil. Na pauta da discussão o estágio, tema importante e que está no dia a dia da profissão.

O Sindijor defende a regulamentação do estágio sob critério do Plano Nacional da Fenaj, em que um aluno pode realizar a atividade a partir do 6º Período. Esta decisão veio de forma coletiva, no 23º Congresso Nacional dos Jornalistas em São Paulo (2008). Vale lembrar que até 2005 o estágio era proibido, hoje, Fenaj e Sindijor PR, entendem que esta prática é importante para complementar o aprendizado.

No debate, além da representante do Sindijor PR, Silvia Calciolari, fizeram parte da atividade os produtores: Liege Scremin e Elizabeth Novaes. Como âncoras: Ana Clara Baptistella e Matheus Gasparin. Jornalistas participantes: Vivian Mendes, Clarisa de Paula e Lucas Fermin.

Veja o link da Rádio Experimental da Unibrasil: http://www.unibrasil.com.br/radioexperimental/

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

As greves, a mídia e o "teto de vidro"

O ano de 1968 foi considerado o "orgasmo da história" em virtude da onda de manifestações que eclodiram por todo mundo. No mesmo ano, Martin Luther King – ativista dos direitos civis nos Estados Unidos – foi assassinado. Em abril, dias antes do crime, ele liderou uma marcha em apoio a uma greve de 1,3 mil funcionários negros da limpeza pública por melhores condições de trabalho e salários decentes.

Na ocasião, a paralisação dos trabalhadores já durava cerca de dois meses e a marcha foi reprimida com violência dos órgãos repressores do Estado. Luther King dizia que a "greve é a linguagem dos não-ouvidos". Linguagem é comunicação e, quando falamos em greve, a comunicação tem um papel fundamental e os meios que propagam informação devem agir com responsabilidade.

Deixando 1968 na história e voltando ao presente, vivenciamos uma espécie de "catarse coletiva" de mobilizações em todo o País, com greves nacionais como a dos bancários e dos Correios, paralisações de professores em Minas Gerais e Ceará e, aqui no Paraná, a recente mobilização dos servidores da UFPR (Universidade Federal do Paraná). Como de praxe - ainda que de forma velada - a mídia vem fazendo sua ofensiva diante das greves.

Nenhum meio de comunicação (seja ele grande, de circulação nacional, ou regional e local, que reproduz as mesmas visões e juízos) ataca de forma direta o direito de greve. Não pela falta de vontade em si, mas por não terem coragem de investir contra um direito que foi conquistado ainda no século 19, com o esforço, sacrifício e sangue de trabalhadores.

Como não podem atacar o direito constitucional de greve fazem ofensivas direcionadas em cada paralisação, especialmente quando as greves acontecem no setor público. É raro (quase surreal) quando a mídia admite que uma greve é justa. Para ela, todas as mobilizações são "abusivas" e foco da cobertura está sempre nas pessoas prejudicadas (o usuário/consumidor) e nunca no trabalhador grevista.

A maneira pejorativa que são tratadas as greves por vezes beira a ingenuidade quando o receptor da informação é alguém que tem uma mínima noção de como funciona a relaçãoempregador/empregado e de como se dá a luta de classes em nossa sociedade. Seja no espaço maior dado ao empregador, seja na ausência do aprofundamento das pautas dos trabalhadores ou ainda na tentativa maldosa de sempre jogar grevistas contra a população.

Direito constitucional

A greve é um direito assegurado na Constituição. É importante (e um dever) que a imprensa se preocupe com a população de uma maneira geral, mas não pode agir de forma irresponsável, incitando a ira do trabalhador/usuário contra trabalhador/servidor, que pode e deve fazer o uso das ferramentas que disponibiliza para buscar seus direitos (ferramentas que são poucas diante do capital).

Apesar de ser um direito que deixou de ser criminalizado há mais de meio século pra entrar na ordem constitucional, a imprensa (com raras exceções) continua a "marginalizar" grevistas. Já o Estado - que serve ao sistema e atua em sintonia com esses meios - sempre tentou indiretamente, por meio de leis ordinárias, reprimir esse direito. Na ditadura aconteciam as intervenções aos sindicatos, as demissões em massa e prisões. Ainda nesse campo histórico, a greve foi uma das bandeiras dos trabalhadores na Constituinte de 1986, assegurada em definitivo na redação do artigo 9º da Constituição Federal de 1988.

Ficando claro que a paralisação é um direito, vamos a outros fatos (nem sempre pautados): a atual legislação obriga a publicação de editais de greve com 72 horas de antecedência das paralisações. Após a publicação, o Ministério Público do Trabalho ingressa com um pedido de liminar sobre a greve. Antes mesmo da greve se iniciar os Tribunais Regionais do Trabalho concedem liminares exigindo que determinada porcentagem dos trabalhadores permaneçam nos postos, assegurando o atendimento dos serviços considerados "inadiáveis". Diante disso também são estabelecidas multas diárias se os sindicatos descumprirem ordens judiciais, em multas e percentuais que variam de acordo com cada região.

Voltando a atual conjuntura da relação empregador/empregado, estamos assistindo uma retomada gradativa da capacidade de luta do movimento sindical - ainda tímida em relação a outras épocas - onde acompanhamos algumas conquistas de aumentos reais e recuperação de perdas acumulada nos últimos anos. Mas - paralelo a essa tímida retomada de luta - vemos uma campanha (nada tímida) de grandes veículos de comunicação que seguem jogando a população contra grevistas, não permitindo que essa mesma população entenda as reivindicações desses trabalhadores.

Concluindo meu raciocínio, faço aqui o papel de "advogado do diabo", tentando explicar essa relação da mídia e as greves: nessa complexa relação teriam os meios de comunicação o complexo do "teto de vidro"? Afinal, que moral alguns órgãos de imprensa teriam de propagar que uma greve é justa, destacando questões como precarização do trabalho e direito dos empregados (chamados também de "colaboradores"), quando esses meios não são os melhores exemplos para o assunto dentro de seus próprios currais?


Texto: Júlio Carignano