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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Demissões e terceirizações na TV Educativa do Paraná

O governo Beto Richa (PSDB) resolveu acabar com o convênio existente entre a Funpar (Fundação da UFPR), a TV Educativa (agora E-Paraná) e a UFPR TV para contratação de jornalistas (repórteres, editores, produtores, cinegrafistas etc.) para as duas tevês. O convênio da era Roberto Requião (PMDB), previa contratação dos profissionais por meio de teste seletivo. Foi a forma encontrada para acabar com os famosos cachês (não tem carteira assinada ou qualquer benefício).

Na sexta-feira (9), o governo rompeu o contrato. Ontem, 45 profissionais, 35 da Educativa e 10 da UFPR TV foram demitidos. Segundo informação dos bastidores Richa vai criar uma OS (Organização Social) para gerenciar a tevê e o rádio do governo, que já havia anunciado as OS como gerenciadoras do Museu Oscar Niemeyer e da Orquestra Sinfônica.


*Fonte: www.esmaelmorais.com.br

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O perigo do monopólio

Os cânones do capitalismo indicam que o equilíbrio do mercado é por si só capaz de garantir concorrência, princípio a partir do qual estabelece-se um equilíbrio entre oferta e procura, garantindo, portanto, bons serviços e produtos. Ao enfrentar empresas com as mesmas características, produzindo o mesmo tipo de produto e ofertando-o no mesmo território, cria-se um ambiente de equilíbrio o qual garante preço justo e qualidade nos produtos e/ou serviços entregues aos consumidores.

Esse primeiro parágrafo foi escrito por alguém que não acredita nessa tese. Mas serve para provar que a teoria cai por terra quando há uma realidade avassaladora: a pressão desse mesmo mercado em dizimar concorrentes. E ainda considera-se que aqueles sem competência na ocupação de seus espaços do mercado, acabam gerando uma dura realidade para quem vai consumir o bem ofertado.

A compra do Grupo Paulo Pimentel (ou o que restou dele) por parte do Grupo da Rede Paranaense de Comunicação (GRPCOM) traduz-se na transformação do mercado da comunicação no Paraná em tendência a um setor monopolizado; é também a comprovação do oligopólio construído a partir de algumas empresas.

E a realidade pode ser facilmente comprovada, a partir do cenário do mercado de impressos em Curitiba e sua região: hoje os leitores da Capital têm apenas o Jornal do Estado fora do “guarda-chuva” GRPCOM. Ou seja, uma empresa apenas comanda os títulos disponíveis para informar aos cidadãos da segunda maior macro-região do Sul do Brasil, formada por aproximadamente 2,5 milhões de pessoas que compõem a Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

Os defensores da tese que o mercado se “auto-regula” argumentarão que existem outros títulos, como por exemplo: o Jornal do Ônibus, o recém lançado MetroNews, o Correio Metropolitano ou o Curitiba Metrópole. Além disso tudo, temos ainda mais 120 títulos de jornais de bairros de Curitiba, pequenos semanários ou jornais que circulam três vezes por semana em algumas das cidades da RMC.

Redações tão pequenas, com poucos jornalistas exercendo geralmente uma grande quantidade de atividades, não podem dar conta de produzir uma informação de qualidade para uma população desse porte.

Fora o mercado de impressos, os meios eletrônicos, considerando os veículos TV, são quatro grandes grupos no Paraná: RPC-TV (oito emissoras), Rede Massa-SBT (quatro emissoras e uma a caminho, em Ponta Grossa), Rede Independência de Comunicação –Record (cinco emissoras no Paraná) e Bandeirantes (com dois donos dividindo as quatro emissoras em todo o Estado). Há também a emissora pública RTVE, ou, a partir da atual gestão, E-Paraná.

São apenas quatro visões de mundo, mas não há espaço para o contraditório em algumas questões, e isso fica bastante claro quando da cobertura da ocupação do plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) por parte de estudantes e sindicalistas na semana passada: todas as emissoras classificaram a ocupação como invasão. E, conceitualmente, sabemos muito bem o que isso quer dizer, principalmente sob o ponto de vista do capitalismo defensor da propriedade.

No rádio, com produção de conteúdo jornalístico, temos a BandNews, a Banda B e a veterana CBN-Curitiba para atender à RMC. Ao longo do Estado, em suas mais diversas regiões, talvez esse seja o setor menos oligopolizado, mas com o meio sendo subaproveitado pela sociedade. BandNews e CBN pertencem na capital ao empresário Joel Malucelli, dono da holding J. Malucelli, cujos negócios variam da construção pesada (Usina de Mauá), venda de equipamentos para grandes obras, entre outros, até a área de comunicação – aliás, considerada o patinho feio do grupo, por ser o de menor lucratividade e faturamento.

Independente dos problemas vividos, percebemos que há uma grande concentração de meios de comunicação sob o domínio de poucas famílias no Paraná (assim como no Brasil). E a compra do GPP pelo GRPCOM aparece em meio a uma negociação pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos jornalistas na qual, do outro lado da mesa, os empresários insistem em dizer que jornal não dá lucro (muito pelo contrário, dá prejuízo); que rádio é incipiente em sua lucratividade e que a empregabilidade para jornalistas é irrisória (há poucos postos de trabalho na área – por força de não cumprimento ao que estabelece a parca e caduca legislação que não sucumbiu ao fim da Lei de Imprensa imposto via STF). Restam as emissoras de televisão, as que reúnem bons índices de faturamento e lucro.

Não há como acreditar em teses como as apresentadas na mesa de negociação. A não ser que estejamos diante de empresários que negam os princípios do capitalismo e queiram apenas acreditar na sua verve altruística. Acreditar nessa premissa nos empurra para o personagem Poliana, de Eleanor H. Porter, menina que sempre crê nas boas intenções.

Setor de donos

Como representantes dos trabalhadores, precisamos encontrar um caminho para dar continuidade à negociação que pretende renovar a CCT. Mas será impossível aceitar argumentos como “os veículos de comunicação impressos estão quebrados”, ou: “impressos dão apenas prejuízos”. “Impressos são sorvedouros de recursos e transformam-se em empresas deficitárias”. A realidade é outra e a prova disso está na aquisição do GPP pelo GRPCOM.

O Sindicato dos Jornalistas do Paraná está atento a essa situação. Exige respeito dos empresários e o reconhecimento por meio de aumento real, concessão de vale alimentação e estudos para implantação de novos benefícios na negociação desse ano. Qualquer tipo de proposta diferente dessa será inaceitável.

Vale ressaltar ainda que os jornalistas, considerados maioria entre os participantes das Confecom de 2009, lutam pela regulamentação dos cinco artigos da Constituição Federal de 1988 que tratam da comunicação, uma vez que a ausência de regras claras para um mercado forte, pujante e constituído por “donos”, não interessa à sociedade. É necessária uma regulação que dê conta do caos que se transformou a área de comunicação: políticos proprietários de rádios e TVs (Ratinho Júnior), empresários com propriedade cruzada (GRPCOM que detém Rádios, Jornais e TVs em número suficiente para dominar o Estado do Paraná) ou a falta de uma agência que realmente regule a situação, fará muito mal à democracia, ao estado democrático de direito e aos interesses da maioria da população paranaense a concorrência chegar ao fim.

Márcio de Oliveira Rodrigues

Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná

Sindijor PR

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

GRPCom compra Tribuna, Estado e Paraná Online

O Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCom), que publica o jornal Gazeta do Povo, comprou os jornais do Grupo Paulo Pimentel. O maior grupo midiático do estado aumenta, ainda mais, seu monopólio ao adquirir a “Tribuna do Paraná”, “O Estado do Paraná” e o portal de notícias “Paraná-Online”. Após meses de boato sobre para quem Paulo Pimentel venderia seus veículos de comunicação, uma reunião hoje (09/12) acabou com o falatório. O anúncio oficial será feito amanhã. O GRPCom entrou em contato com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor PR) para confirmar a negociação.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mercado: Brasileiros preferem ler impresso?

A tradição permanece? O impresso ainda impera em números de leitores comparado ao digital? O Datafolha divulgou no último domingo (23) uma pesquisa em que mais de 21 milhões de brasileiros declaram ler jornais todos os dias. Segundo o instituto de pesquisa do Grupo Folha, 73% dos leitores preferem versões impressas, ao invés de informações disponíveis on line nos meios de comunicação. Durante os dois meses de estudo – março e abril deste ano – foram entrevistadas pessoas em 179 cidades brasileiras. Outros números do estudo indicam que a TV é o meio preferencial da população no quesito notícia (90% dos entrevistados preferem acompanhar notícias pela televisão). Fonte: http://www.comunique-se.com.br/

Porém esta pesquisa é questionada em artigo desta segunda-feira (24) no site do Observatório da Imprensa (www.observatoriodaimprensa.com.br). Com o título “Pesquisa inútil na edição dominical”, Luciano Martins Costa – professor de economia na UNB (Universidade de Brasília) – aponta alguns direcionamentos para que possamos entender que os números, às vezes, podem confundir. Leia o artigo na íntegra.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Faturamento na região do Paraná cresce, circulação de jornais no país aumenta 4,2%

O Projeto Inter-Meios, da revista Meio & Mensagem, mostra que, na região em que se situa o Paraná, todos os dados das principais mídias apresentam desempenho favorável nos primeiros seis meses de 2011. Enquanto no país, o faturamento de rádio se retraiu em 2,16%, no Sul houve crescimento de 4,3% nas receitas das emissoras. O desempenho destoante da média nacional também é percebido no meio jornal, que aumentou na região quase 7%, enquanto no país ficou quase no zero. Em TVs, o “Sul maravilha” bateu 4,77% de aumento no caixa das emissoras, enquanto na média brasileira o crescimento foi de apenas 1,82%. O que o patronato da mídia paranaense vai alegar na hora de fecharmos a próxima convenção coletiva?

Circulação – O Instituto Verificador de Circulação (IVC) anunciou crescimento médio de 4,2% de jornais impressos no primeiro semestre, comparado ao mesmo período do ano passado. A média diária nestes primeiros seis meses é de 4,4 milhões de exemplares, novo recorde para a auditoria. Porém os números não animam os profissionais. De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, os empresários anunciam gastos e conquistas sem o menor constrangimento diante das condições degradantes impostas aos trabalhadores. A contradição aumenta quando a Associação Nacional dos Jornais declara “momento positivo” e o jornal O Estado de S. Paulo tem quadro de 40 demissões só este ano. Veja mais aqui.