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segunda-feira, 26 de março de 2012

Sindijor-PR repudia atitude de apresentador da TV Massa

A violência contra os trabalhadores (seja ela verbal ou física) é algo abominável. Prática que merece o repúdio de toda a sociedade, ela se torna algo mais desrespeitoso e inadmissível quando falamos de um ambiente no qual, é de se supor, haja discernimento e respeito mútuo – como é a característica das redações de jornais, rádios ou TVs. Pois isso foi completamente fulminado semana passada, quando o âncora do informativo vespertino Tribuna da Massa, Paulo Roberto, mais conhecido como Galo, utilizou-se de expedientes nada ortodoxos por conta de pioras nos índices de audiência do programa levado ao ar pelo SBT do Paraná, por meio das emissoras da Rede Massa.

Além de rebaixar os colegas com termos chulos, palavras de baixo calão, comparações incongruentes com a realidade e uso de baixarias, Paulo Roberto levou a maioria da equipe a sair do ambiente da redação sob forte tensão e choro compulsivo. Segundo relatos de alguns profissionais que acompanharam o "show de horror" do Galo, sobrou para todos: repórteres, repórteres-cinematográficos, editores, pauteiros, estagiários e outros profissionais que se dedicam com afinco para levar ao ar um informativo para a coletividade paranaense.

O Sindijor-PR, entidade que defende os valores materiais e morais dos jornalistas paranaenses há mais de 65 anos, vê com tristeza o fato de um profissional que em frente às câmeras propõe ser o bastião da defesa dos mais expostos pelas condições sociais, atrás delas tomar esse tipo de atitude truculenda. Não existe relato na história da humanidade de que falta de respeito ao companheiro e humilhação melhora o ambiente de trabalho e angaria audiência. A única repercussão que isso gera é afastamento dos telespectadores pela postura dicotômica daquele que deveria ser o exemplo na defesa dos interesses coletivos.

Sindijor-PR repudia violência no Oeste do Paraná

Dois profissionais da comunicação foram assassinados no Oeste do Paraná nos últimos dois dias. Em Foz do Iguaçu, o comunicador da Rádio Cultura Divino Aparecido Carvalho foi executado quando chegava para trabalhar, na manhã de segunda-feira (26). Carvalho apresentava o programa O Show da Cultura, na emissora AM.

Já em Santa Helena, distante cem quilômetros de Foz do Iguaçu, a vítima da violência foi o diretor e sócio-proprietário do Jornal Costa Oeste, Onei de Moura. O empresário foi morto por atiradores no momento em que conversava com amigos em um disque-bebidas da cidade.

A Polícia Civil investiga os casos, porém até o momento não tem pistas dos assassinos.

A Subseção de Foz do Iguaçu e Região e a Direção Estadual do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná espera que os homicídios sejam esclarecidos e que os responsáveis pelos crimes sejam presos. Da mesma forma, solidariza-se com os familiares dos comunicadores.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Relato de um jornalista


Arquivo pessoal


“Entrei na faculdade de jornalismo e logo aprendi que minha condição básica de vida profissional ia girar em torno da imparcialidade. Se hoje lá de novo estivesse, brandaria ao professor: “Isso só vale quando não te deram um tiro de bala de borracha, né professor?”, pois foi o que aconteceu ontem comigo.

Fazia dez minutos que estava no Largo em busca do grupo de amigos. Um estouro, mais um, pessoas correndo. Foi só o que eu vi e ouvi. Então corri na direção contrária às explosões e fui atingido nas costas. Note: eu não vi o policial, autor do disparo, não presenciei o início da confusão, nada. Levei um tiro de bala de borracha nas costas, em meio a pelo menos três mil pessoas que se espremiam e se pisoteavam. Essa foi a tentativa desesperada pessoas comuns para fugir da violência da polícia na apertada Rua Mateus Leme, sentido Rua Treze de Maio. Covardia: é só o que me vem em mente.

A bala fez um buraco grande nas minhas costas, mas agora, já medicado, não é isso que me preocupa. A dor vai embora, mas fica a vergonha, o medo e a revolta. Vergonha de ser tratado como um marginal, medo da nossa polícia e revolta por não acreditar em uma punição.

O carnaval de Curitiba pra mim continua o mesmo. E quero inclusive estar lá novamente domingo que vem. Os policiais também serão bem vindos, a presença deles deve garantir a nossa segurança. Mas peço: deixem em casa a violência. Essa nós dispensamos”.


Felix Calderaro

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Nota de repúdio: atentado à RPC TV Maringá

A Federação Nacional dos Jornalistas, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná vêm a público expressar perplexidade e repúdio ao ato criminoso perpetrado contra a sede da RPC TV de Maringá (antiga TV Cultura) na madrugada desta segunda-feira. A imprensa do Estado foi novamente agredida quando, por volta da 1h20 de hoje, dois criminosos em uma moto dispararam 15 vezes contra a sede da emissora. O atentado – covarde e potencialmente mortífero – reflete a situação por que passam os jornalistas e a imprensa no Paraná e no Brasil: desrespeito, intimidação e restrição à autonomia de trabalho. No ano passado, em meio à divulgação do escândalo dos Diários Secretos na Assembleia Legislativa, um ato ameaçador foi praticado contra a mesma RPC, em Curitiba, quando um artefato explosivo foi lançado contra a sede da emissora. Na última quinta-feira, numa agressão absurda, em razão da atividade profissional, a jornalista Cristiane Fortes, de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, conhecida pelo trabalho de denúncia à frente de seu jornal, Metropolitan’s Notícias, foi espancada por um assessor da prefeitura local. O espaço de liberdade, informação plural e livre e de ampla independência para o trabalho da imprensa, realidade pela qual todos ansiamos, parece ainda estar longe de se consolidar no Brasil. Com efeito, a liberdade de imprensa é atacada e corre sérios riscos no país. Apenas em 2010, segundo a Fenaj, foram 43 jornalistas agredidos ou mortos no exercício ou em função dele, o que demonstra que a atividade da imprensa no país ainda incomoda diversos setores que, incapazes de conviver com a diversidade de visões numa sociedade democrática, atribuem a si mesmos o direito de censurar a imprensa por meio de ameaças, agressões, coações e chantagens a jornalistas. Não pode haver imprensa livre se estes setores não perceberem, sob o rigor da lei, que tais condutas são inadmissíveis. Assim, cabe aos Sindicatos dos Jornalistas e à Fenaj cobrar das autoridades a rigorosa apuração das responsabilidades por estes atos e a punição exemplar daqueles que tentam restringir o trabalho da imprensa livre. Solidários aos trabalhadores da RPC TV e à empresa, vamos lutar para que o atentado em Maringá – assim como as demais agressões à imprensa – não fique impune.

Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná

segunda-feira, 21 de março de 2011

Jornalistas de Foz do Iguaçu sob ameaça de represálias

O Sindijor repudia as tentativas de intimidação articuladas contra os jornalistas Ali Farhat e Yassine Hijazi, editores do site bilíngue árabe-português A Fronteira/Al Hudud, de Foz do Iguaçu. Após a publicação de uma matéria no site sobre a qualidade das escolas árabes na região da Tríplice Fronteira, um grupo de empresários – entre os quais alguns que teriam interesse nestas escolas – teria se reunido numa chácara da região, na qual um dos presentes sugeriu que se fizessem represálias aos profissionais. Este empresário teria cogitado “mandar uma horda de bandidos para ‘educar’” Farhat e Hijazi, numa sugestão de ameaça física aos jornalistas, seja no Brasil ou no Paraguai, onde ambos também são comerciantes. A ameaça foi ouvida por um conhecido de Farhat presente ao encontro, que relatou o caso ao jornalista. Farhat disse ao Sindijor que procuraria a Polícia Federal para denunciar o suposto plano de represália. A situação descrita é inconcebível: ameaça a profissionais da imprensa como retaliação ao seu trabalho, como se não houvesse espaço na sociedade democrática para o adequado confronto de ideias e informações. O Sindijor, atento ao fato, repudia a articulação de represália aos profissionais e presta solidariedade aos jornalistas Farhat e Hijazi.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Jornalistas são ameaçados de morte em Curitiba

(Relato do repórter-cinematográfico João Carlos Frigério sobre ameaça de morte sofrida por ele e pelo repórter Jotapê, do Programa 190 - contato@plantao190.com.br, http://twitter.com/joaofotografo)

“Na noite do dia 29, sexta-feira, aconteceu no Bairro Barreirinha uma chacina que vitimou seis (06) pessoas. Eu e o repórter Jotapê fomos até o local e fizemos a matéria sobre a chacina, porém, devido às fortes chuvas daquele horário, não conseguimos completar a matéria na noite.
No fim da tarde de sábado (30), resolvemos retornar ao local. Ao chegarmos, nos deparamos com várias pessoas na rua. Pareciam ser moradores, e no final da Rua Albino Blum, notei um rapaz suspeito e avisei o Jota, dizendo pra ficar esperto com o "nóia". Fomos descendo a rua e o sujeito em questão veio em nossa direção. Perguntou de qual emissora nós éramos. Respondi que era do 190. Foi quando ele sacou uma pistola, que deveria ser uma .40 ou uma 9mm e colocou na minha cabeça e dizendo que ia me matar e matar o Jotapê. Ele nos foi empurrando para o local da chacina e dizendo que ia nos queimar. Disse ainda que nós havíamos ido ali para denunciar o local como ponto de venda de drogas. Em um momento ele empurrou o Jota e apontou para a cabeça dele. Neste momento eu acreditei que ele fosse atirar. Foi quando começamos a implorar para que ele não fizesse isso, pois éramos trabalhadores. Mantivemos a calma para tentar contornar a situação e falei a ele estar ali para ajudá-lo, indagando sobre o que precisava.
Completamente fora de si, ele continuou nos empurrando tentando nos levar ao local da chacina, e parecia querer mesmo nos matar. Quando chegamos à ponte, a cerca de vinte metros do local da chacina resolvemos não ir mais para dentro, pois sabíamos que se passássemos da ponte, não haveria mais retorno. Foi quando achei que ele fosse nos matar ali mesmo. Eu então tentei acalmá-lo, dizendo que nós estávamos indo embora e que o deixaríamos em paz. Ele, ainda muito alternado, foi aos poucos cedendo e disse que ia nos matar ali mesmo. Eu então disse que estava indo embora, que ia deixá-lo em paz, e fui meio que saindo foi então que ele cedeu e nos deixou ir, mas nos xingando e ameaçando.
Não dei as costas a ele até chegar a uma distância segura, acelerei o passo e fui até o carro. O Jotapê veio mais devagar. Entramos no carro e saímos, não acreditando ainda que estávamos vivos. Sei que erramos ao chegar no local sem escolta policial. Porém só havíamos decidido sair do veículo caso o local estivesse seguro. E a impressão era de segurança, pois havia várias pessoas na rua. O que mais me assusta é o fato de, em menos de 24 horas, após uma chacina que vitimou seis pessoas o local já estar dominado por traficantes. E a única certeza que tenho é que saí dali vivo graças a Deus.”