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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Relatório anual da FENAJ - Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil

A publicação anual da Federação Nacional dos Jornalistas elaborado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos e Liberdade de Imprensa foi lançada no mês de outubro no XVIII Encontro Nacional de Jornalistas em Assessoria de Comunicação (ENJAC) em Natal (RN). O relatório mostra o panorama vivido pelos jornalistas em todo território nacional. Na publicação “Violência e Liberdade de Imprensa no Brasil” podemos ver diversas atrocidades sofridas por jornalistas de norte a sul do país. No texto são citados casos como o da Folha de São Paulo, que publicou um artigo em que desqualifica seus próprios profissionais; a principal derrota histórica da classe, quando o Supremo Tribunal Federal extinguiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista e, principalmente, a insegurança pelo qual os profissionais passam no dia a dia da profissão.

Alguns relatos chamam atenção

3 de maio de 2010 (São Paulo). A equipe da TV Record ficou mais de duas horas detida na 22ª DP – São Miguel Paulista. Os profissionais tentaram ouvir um policial sobre o uso indevido de veículo apreendido no pátio de uma delegacia, porém o delegado José Carlos Viegas prendeu o auxiliar de cinegrafia – Hebert Motta.

20 de maio de 2010. Gilvan Luiz Pereira (Juazeiro do Norte - Ceará), fundador do jornal Sem Nome, foi sequestrado e torturado por homens encapuzados. Cerca de 20 minutos depois a polícia interceptou o carro. O jornalista ficou cinco dias internado em um hospital de Juazeiro do Norte. Segundo Pereira o que motivou o crime foi uma denúncia sobre a esposa de um vereador da cidade que recebia Bolsa Família sem ter o perfil para isso.

18 de outubro de 2010. Francisco Gomes de Medeiros (Caiacó – Rio Grande do Norte). Jornalista assassinado na calçada de casa. De acordo com investigações duas pessoas chegaram numa moto e abriram foto. F. Gomes (como era conhecido) noticiava crimes no seu blog (www.fgomes.com.br). Foi correspondente dos jornais Diário de Natal e Tribuna do Norte. Pouco tempo antes de sua morte denunciou suspeita de troca de votos por ‘crack’, no primeiro turno das eleições em Caiacó.

Link do Relatório aqui.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Jornalistas são ameaçados de morte em Curitiba

(Relato do repórter-cinematográfico João Carlos Frigério sobre ameaça de morte sofrida por ele e pelo repórter Jotapê, do Programa 190 - contato@plantao190.com.br, http://twitter.com/joaofotografo)

“Na noite do dia 29, sexta-feira, aconteceu no Bairro Barreirinha uma chacina que vitimou seis (06) pessoas. Eu e o repórter Jotapê fomos até o local e fizemos a matéria sobre a chacina, porém, devido às fortes chuvas daquele horário, não conseguimos completar a matéria na noite.
No fim da tarde de sábado (30), resolvemos retornar ao local. Ao chegarmos, nos deparamos com várias pessoas na rua. Pareciam ser moradores, e no final da Rua Albino Blum, notei um rapaz suspeito e avisei o Jota, dizendo pra ficar esperto com o "nóia". Fomos descendo a rua e o sujeito em questão veio em nossa direção. Perguntou de qual emissora nós éramos. Respondi que era do 190. Foi quando ele sacou uma pistola, que deveria ser uma .40 ou uma 9mm e colocou na minha cabeça e dizendo que ia me matar e matar o Jotapê. Ele nos foi empurrando para o local da chacina e dizendo que ia nos queimar. Disse ainda que nós havíamos ido ali para denunciar o local como ponto de venda de drogas. Em um momento ele empurrou o Jota e apontou para a cabeça dele. Neste momento eu acreditei que ele fosse atirar. Foi quando começamos a implorar para que ele não fizesse isso, pois éramos trabalhadores. Mantivemos a calma para tentar contornar a situação e falei a ele estar ali para ajudá-lo, indagando sobre o que precisava.
Completamente fora de si, ele continuou nos empurrando tentando nos levar ao local da chacina, e parecia querer mesmo nos matar. Quando chegamos à ponte, a cerca de vinte metros do local da chacina resolvemos não ir mais para dentro, pois sabíamos que se passássemos da ponte, não haveria mais retorno. Foi quando achei que ele fosse nos matar ali mesmo. Eu então tentei acalmá-lo, dizendo que nós estávamos indo embora e que o deixaríamos em paz. Ele, ainda muito alternado, foi aos poucos cedendo e disse que ia nos matar ali mesmo. Eu então disse que estava indo embora, que ia deixá-lo em paz, e fui meio que saindo foi então que ele cedeu e nos deixou ir, mas nos xingando e ameaçando.
Não dei as costas a ele até chegar a uma distância segura, acelerei o passo e fui até o carro. O Jotapê veio mais devagar. Entramos no carro e saímos, não acreditando ainda que estávamos vivos. Sei que erramos ao chegar no local sem escolta policial. Porém só havíamos decidido sair do veículo caso o local estivesse seguro. E a impressão era de segurança, pois havia várias pessoas na rua. O que mais me assusta é o fato de, em menos de 24 horas, após uma chacina que vitimou seis pessoas o local já estar dominado por traficantes. E a única certeza que tenho é que saí dali vivo graças a Deus.”