quinta-feira, 23 de julho de 2009

Um balaio de incoerência

Por OSNI ALVES

Apesar dos baixos salários e condições de trabalho muitas vezes fora do convencional, a profissão de jornalista é uma das mais procuradas em diversos setores da sociedade. O próprio curso de comunicação continua sendo um dos mais concorridos nas universidades públicas e privadas.

Mesmo com a derrubada da exigência do diploma para exercício da profissão e notória falta de união entre os profissionais, o jornalista ainda é um referencial à sociedade. Prova disto é a recente pesquisa promovida por um dos principais institutos do país e divulgada por veículo de abrangência nacional.

A pesquisa do Ibope Inteligência divulgada pelo jornal “Valor” revela com clareza o grau de confiança que o brasileiro deposita em instituições. Mais uma vez os jornais despontaram na frente (60%) de outras instituições como igrejas (57%), multinacionais (53%) e governo (22%). Ou seja, os jornais têm três vezes mais credibilidade do que o governo, segundo o Ibope.

Já na outra ponta do estudo, com baixíssima credibilidade (2%) – não se sabe por quê - estão os políticos, pois a pesquisa mediu profissões também. À frente estão os bombeiros (97%), os pilotos de aviação (83%). Os jornalistas estão muito bem posicionados, com 51% de avaliação positiva, acima de motoristas de táxi (40%) e policiais (26%).

A mesma pesquisa foi promovida em 2008 e a ordem de preferência e credibilidade permaneceram iguais, com uma alta de cinco pontos de aumento na comparação entre jornais e igrejas. Dados como este trazem novamente a corrente que circula dentro das academias afirmando que o jornalismo é o quarto poder. Fica atrás dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Aliás, o Ibope deveria aproveitar a oportunidade e pesquisar a credibilidade e grau de confiança que o brasileiro tem em nossos magistrados, bem como no Judiciário como um todo. Se a iniciativa de desregulamentar o setor e derrubar exigências de diplomas se estender aos bacharéis de direito, significa a volta dos rábulas.

Os rábulas eram advogados que, não possuindo formação acadêmica em Direito (bacharelado), obtinham autorização do órgão competente (no período imperial) ou da entidade de classe para exercer, em primeira instância, a postulação em juízo.

O jornalista paranaense Tomás Barreiro afirma que a existência ou não de Conselho ou Ordem de determinada profissão, assim como a exigência ou não de diploma de nível superior para exercício profissional, pouco têm a ver com a suposta importância social dessas profissões. Está relacionada, muito mais, ao poder de articulação e à representatividade de cada categoria. Ou seja, desregulamenta-se a profissão de jornalistas que incide diretamente na vida da população de forma positiva ou negativa, mas regulamenta-se a profissão de mototaxistas. Um balaio de incoerência!



Osni Alves Júnior, 27, é jornalista e assessor de comunicação de associação de classe, além de profissional liberal. Atuou em veículos de comunicação de Blumenau, Jaraguá do Sul e atualmente reside e trabalha em Joinville.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vídeo mostra vigília do Sindijor-PR em defesa do diploma de jornalista

Assista à reportagem da TV Paraná Educativa sobre a vigília realizada no último dia 17 de julho:



Link do vídeo no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=m0x21GVYGWQ

Confecom e defesa do diploma são prioridades dos jornalistas no segundo semestre

Do site da Fenaj:

A luta em defesa do diploma e a participação das entidades sindicais dos jornalistas no processo da Conferência Nacional de Comunicação foram debatidas em reunião ampliada e em um seminário nacional da Fenaj, em São Paulo, no último final de semana. As duas questões serão priorizadas na agenda de lutas do segundo semestre para assegurar que o debate em torno da democratização da comunicação e da importância social do Jornalismo ganhe maior espaço na sociedade.

Na sexta-feira (17/7), a Fenaj realizou reunião ampliada de sua diretoria para definição de ações relativas à luta pela manutenção da exigência do diploma. Dirigentes de 25 Sindicatos de Jornalistas participaram da discussão. Já no Seminário sobre a Confecom, participaram também jornalistas, professores e representantes de outras entidades e categorias profissionais.

Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj, conta que os dois espaços de discussão resultaram em mais de duas dezenas de propostas e encaminhamentos aprovados. “Tudo o que foi aprovado será divulgado no seu devido momento”, disse. Ele antecipou que permanecem as orientações aos Sindicatos para manterem os mesmos procedimentos quanto à emissão da carteira de jornalista, sindicalização e registro profissional. “Até porque, no que se refere aos registros, o próprio Ministério do Trabalho prossegue encaminhando apenas o dos diplomados até a publicação do acórdão do STF”.

Quanto às iniciativas que vêm ocorrendo no Congresso Nacional, de proposições de PECs e regulamentação da profissão, Murillo revela que a Fenaj não analisará, de imediato, o mérito de cada uma delas. O importante para a Federação e Sindicatos da categoria é que, tanto tais propostas quanto as audiências públicas que estão sendo agendadas, ampliam o debate sobre o diploma. “Agora a sociedade vai ter condições de acompanhar este debate que foi sonegado e escondido pelos donos da mídia”, considera Murillo, para quem a sociedade vai compreender o desconhecimento que o STF mostrou ter sobre o Jornalismo e o equívoco da decisão tomada.

Além da intensificação da agenda de lutas e protestos no segundo semestre, uma das ações imediatas dos Sindicatos e da categoria é buscar em seus Estados e regiões, neste período em que o Congresso Nacional está em recesso, contato com os parlamentares que ainda não assinaram a proposta de constituição da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma. “Para oficializar sua criação no Congresso, são necessárias 191 assinaturas”, lembra Sérgio Murillo, registrando que a proposta já tem cerca de 150 apoiadores entre deputados e senadores. Com a frente formada, a perspectiva de agilizar a tramitação das matérias de interesse da categoria é maior.

O presidente da Fenaj conta, também, que a ideia das entidades da categoria é fazer do processo da Confecom um espaço privilegiado de debate sobre a profissão de jornalista, a realidade do setor de comunicações no País e a necessidade social do Jornalismo.

Entre os temas que a entidade pretende destacar no processo da Confecom estão a Lei de Imprensa, a Liberdade de expressão, o Conselho Federal de Jornalistas e um estatuto de ética para o Jornalismo, a regulamentação e o Jornalismo como necessidade social, além de questões como as outorgas e concessões, regulação de conteúdos, controle público e marco regulatório da comunicação.

Polêmica decisão do STF provoca manifestações sobre o diploma dos jornalistas

Do site da Fenaj:

O debate e mobilizações sobre a exigência do diploma para o exercício do Jornalismo e a decisão do Supremo Tribunal Federal, que extinguiu tal requisito, progride nacionalmente. No Congresso Nacional, propostas de emenda constitucional e de constituição de uma Frente Parlamentar em Defesa do Diploma envolvem deputados e senadores. Manifestações em apoio à manutenção do diploma ocorrem em diversos espaços. Enquanto não é publicada a decisão do Supremo, o Ministério do Trabalho efetua somente o registro de jornalistas diplomados. Já surgem questionamentos à regulamentação de outras profissões.

Na semana passada, houve novos movimentos em defesa da luta dos jornalistas e da sociedade pela qualificação do Jornalismo. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitação de audiência com o ministro Gilmar Mendes. Ele quer discutir alternativas à decisão que acabou com a exigência do diploma em jornalismo. A Câmara de Vereadores de Florianópolis aprovou, por unanimidade, moção contra a decisão de extinguir com a exigência do diploma para o exercício da profissão. Uma vigília em Curitiba, no dia 17, marcou o primeiro mês de intensas mobilizações em todo o País após a decisão do STF.

O apoio de outras entidades da sociedade civil também foi marcante. A CUT e a SBPC aprovaram posicionamentos em defesa da regulamentação profissional dos jornalistas e da constituição da Frente Parlamentar em defesa do diploma.

Com o recesso parlamentar e período de férias em instituições de ensino, o agendamento de atividades se projeta para o mês de agosto. O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso marcou ato em defesa do diploma para o dia 6 de agosto. Já na Paraíba, o Sindicato dos Jornalistas, a Associação Campinense de Imprensa e o Fórum de Luta Contra a Desregulamentação das Profissões, preparam para o dia 13 de agosto, em Campina Grande novo protesto contra a não-obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão do país.

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados realizará audiência pública sobre o tema no dia 20 de agosto, às 9h30. A FENAJ será uma das entidades expositoras.

Registros

A assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho informou que o órgão não fará pronunciamento oficial enquanto não for publicada a decisão do STF. Posteriormente, serão analisados os efeitos que tal decisão produzirá sobre a emissão de registros profissionais, bem como dos procedimentos a serem tomados. Enquanto a decisão não é oficializada e o Supremo não comunique o Ministério, prossegue apenas o registro de jornalistas diplomados.

Já a assessoria do STF informou que não há data prevista para a publicação da decisão. Os votos dos ministros estão sendo publicados no site do Supremo à medida que são entregues.

Fenaj rejeita alternativas de rebaixar qualidade da formação em Jornalismo

Do site da Fenaj:


O debate sobre a revisão das diretrizes curriculares de Jornalismo não está concluído. Mas após a decisão do Supremo Tribunal Federal de extinguir a exigência do diploma para o exercício da profissão, crescem as especulações sobre alternativas como cursos de curta duração para capacitar os interessados em ingressar na atividade. A Fenaj rechaça qualquer opção de formação de novos profissionais que não a maior qualificação dos cursos de graduação.

Os trabalhos da Comissão de Especialistas do MEC encarregada da revisão das diretrizes curriculares ainda não foram concluídos. “Não temos notícia de que o relatório final tenha sido encaminhado ao MEC”, registra a diretora do Departamento de Educação da Fenaj, Valci Zuculoto, lembrando que posteriormente qualquer proposta precisará da aprovação do Conselho Federal de Educação.

Sobre a perspectiva dos cursos de Jornalismo se desmembrarem da Comunicação Social, Valci aponta que esta proposta é defendida pela Federação e outras entidades do campo do Jornalismo – que defendem a graduação específica -, bem como a proposta de ampliação da carga horária mínima dos cursos. “Mas estas propostas precisarão ser apreciadas pelo CFE, para posteriormente produzirem efeitos”, diz a diretora da FENAJ.

Para a Federação, qualquer perspectiva de antecipação aos fatos é precipitada, pois, além da revisão das diretrizes ainda estar inacabada, sequer foi publicado o acórdão da decisão do STF, persistindo dúvidas sobre o alcance e efeitos de tal decisão sobre o exercício e regulamentação da profissão. “Opções que não os cursos de graduação não servem para formar profissionais nem para qualificar o jornalismo”, diz Valci. Para ela, as instituições de ensino não devem se preocupar em modificar os cursos de Jornalismo sem que o debate sobre as diretrizes curriculares no âmbito do MEC e CFE seja concluído.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Debate aborda monopólio de propriedade da mídia no país

A Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação promove na noite desta quarta-feira (22/7) em Curitiba um debate sobre a concentração da propriedade dos meios de comunicação do país.

O debate acontece às 18h30, na sede estadual da APP-Sindicato, localizada no 14º andar do Edifício Asa, na rua Voluntários da Pátria, 475.

O palestrante convidado é João Brant. Integrante da organização não-governamental Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social, Brant é formado em Comunicação Social (rádio e TV) pela USP, com mestrado em regulação e políticas de comunicação pela London School of Economics and Political Science e coautor do livro "Comunicação digital e a construção dos commons".

Conforme dados do projeto "Donos da Mídia", que reúne dados públicos e informações fornecidas pelos grupos de comunicação, as quatro maiores redes de TV no Brasil (Globo, SBT, Band e Record), por exemplo, controlam 843 veículos em todo o país.

O evento desta quarta-feira faz parte da 2ª Jornada pela Democratização da Mídia, que consiste numa uma série de atividades relacionadas à democratização da comunicação, realizadas até setembro em preparação à 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

Marcada para dezembro em Brasília, a Confecom será precedida por etapas municipais, regionais e estaduais.

Todas as atividades da 2ª Jornada pela Democratização da Mídia são gratuitas. Confira a seguir a programação prevista para os próximos meses.




22/7, quarta-feira, 18h30min
Propriedade e concentração dos meios de comunicação
O monopólio da comunicação por famílias e grupos empresariais transformam um direito fundamental em um meio para o fortalecimento de poder político e econômico de poucas pessoas no Brasil. A visão patrimonialista do setor em contraposição ao direito humano à comunicação são o cerne desse debate.
Local: APP Sindicato – Rua Voluntários da Pátria, 475 - 14º andar, Ed. Asa.
Palestrante: João Brant (Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social)

8/8, sábado, 9 horas
Desafios do sistema público: a complementaridade necessária
A comunicação brasileira se caracteriza pelo predomínio das mídias privadas, enquanto existem poucos canais estatais e os canais públicos são experiências recentes e embrionárias. Os desafios para a construção de um sistema público e as premissas que devem orientar este campo serão temas chaves para este debate.
Local: APP Sindicato – Rua Voluntários da Pátria, 475 - 14º andar, Ed. Asa.
Palestrante: Jonas Valente (Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social)

19/8, quarta-feira, às 18h30min
Digitalização e convergência das mídias
A tendência de reunir diversas tecnologias em uma mesma plataforma será um marco para o campo das comunicações. Caso o setor popular brasileiro não participe deste debate, assistiremos essa oportunidade ser apropriada, mais uma vez, pelas grandes empresas de telecomunicações, enquanto o interesse público ficará relegado ao esquecimento. Venha discutir esse tema e construir propostas concretas para a ampliação do direito à comunicação.
Local: APP Sindicato – Rua Voluntários da Pátria, 475 - 14º andar, Ed. Asa.
Palestrante: Celso Schröder (FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação)

5/9, sábado, às 9 horas
Universalização da banda larga, inclusão digital e Internet
Muito além de ter um computador e acesso à internet, inclusão digital significa também conhecer as ferramentas e saber usá-las, a partir de uma capacitação crítica das populações quanto ao conteúdo da rede, transformando-os não em consumidores de informação, mas em produtores de conteúdo. Incluir digitalmente significa ainda desenvolver políticas públicas que priorizem tecnologias sociais, mais acessíveis a toda a população. Contribua para esta discussão, participando da II Jornada.
Local: APP Sindicato – Rua Voluntários da Pátria, 475 - 14º andar, Ed. Asa.
Palestrante: Demi Getschko (CGI-Br - Comitê Gestor da Internet no Brasil)


Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação

Para saber mais
www.proconferencia.org.br
www.proconferenciaparana.com.br

Em nota, Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação critica Abert

Leia a íntegra de nota divulgada nesta terça-feira (21/7) pela Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação.

O documento faz críticas à posição da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV dentro da Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

Para saber mais, clique aqui.


Por um regimento plural e democrático para a Confecom. Não às pressões da Abert


A Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação vem a público manifestar sua contrariedade pelo impasse provocado por representantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) na Comissão Organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

Ao tentar impor “condições mínimas” para participar do processo, os representantes da Abert têm causado o adiamento da aprovação do regimento interno da Confecom, que já deveria ter ocorrido há mais de dez dias, em 9 de julho. Atraso este que prejudica o calendário inicial e irá dificultar as etapas prévias e eletivas do processo.

Entre as “condições” da entidade patronal estão “a proteção dos serviços e outorgas atuais”, “a mínima interferência estatal”, a redução dos temas da conferência à internet, a garantia de que os empresários tenham um terço dos delegados e de que não existam comissões organizadoras nos Estados.

Ou seja, ao invés de uma Conferência, eles querem um seminário, pois temem o embate político. Essa posição é inaceitável. Tal tentativa prévia de restringir o debate não encontra paralelo em nenhuma das demais conferências ocorridas em outras áreas no país.

Usar a elaboração do regimento interno com a intenção de censurar ou direcionar o debate é uma prática que contraria os princípios de participação popular e de controle social que devem permear a Confecom.

A CPC-PR defende a aprovação imediata do regimento plural e democrático com vistas a viabilizar a organização das etapas prévias – municipais, regionais e estaduais.

Que os representantes do governo federal, do Congresso Nacional e dos movimentos sociais não cedam às pressões da Abert, aprovando de maneira objetiva e célere a proposta de regimento interno.

Informamos, por fim, que o processo de organização da etapa da Confecom no Paraná está adiantado, apesar do obstáculo da falta do regimento nacional. Registramos ainda a boa interlocução mantida com o governo do Paraná, e confiamos na rápida aprovação do regimento para darmos continuidade aos preparativos da conferência paranaense.

Curitiba, terça-feira, 21 de julho de 2009.

Comissão Paranaense Pró-Conferência de Comunicação

O jornalismo Tabajara

Do Observatório da Imprensa:

Por LUCIANO MARTINS COSTA

[Comentário para o programa radiofônico do OI, no ar em 17/07/09]

Passado um mês da decisão do Supremo Tribunal Federal extinguindo a obrigatoriedade do diploma específico para o exercício do jornalismo no Brasil, as empresas, universidades, o Ministério da Educação e os jornalistas ainda não chegaram a um acordo sobre como vai funcionar a relação entre as empresas jornalísticas e seus profissionais.

A Lei de Imprensa, nº. 5.250, de 1967, foi revogada no dia 30 de abril.

Praticamente no dia seguinte, começaram os debates sobre o vazio legal que se formou, e que pode trazer consequências graves para a própria imprensa.

As duas decisões foram resultado de intensa movimentação por parte das empresas de comunicação, que celebraram as votações no STF como vitórias da liberdade de expressão.

O observador da imprensa não pode deixar de questionar: ora, com todo acesso que têm aos mais qualificados juristas do País, as empresas de mídia não poderiam ter previsto os efeitos das campanhas que patrocinaram, tanto para a extinção da lei 5.250 como para o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista?

Tanto em um como em outro caso, os articulistas e comentadores que disputam espaço nos jornais de circulação nacional se esmeraram em defender tais medidas.

Nenhum deles chegou a pensar no dia seguinte? Nesse caso, para que servem tais analistas? Apenas para referendar a opinião exposta ali ao lado, nos editoriais?

Brasil sem lei

Já foi publicado que, dos 191 países integrantes da ONU, apenas o Brasil não tem uma legislação específica para regular os direitos e deveres da imprensa.

Com o vácuo legal criado pela extinção da Lei de Imprensa, os cidadãos ficam desprotegidos contra os erros dos jornalistas.

Da mesma forma, sem a legislação específica, os jornais ficam à mercê de decisões aleatórias surgidas por qualquer querela.

Nesta sexta-feira, por exemplo, noticia-se que um juiz do Rio de Janeiro proibiu o colunista da Folha de S.Paulo José Simão de citar o nome da atriz e modelo Juliana Paes.

Se desobedecer, o humorista terá de pagar R$ 10 mil por citação.

Sem a lei específica, há pouco o que fazer em sua defesa.

Quanto ao diploma de jornalismo, algumas consequências já são notadas: empresas de educação de terceira linha começam a anunciar cursos rápidos para os candidatos a jornalista sem diploma universitário específico.

Uma dessas empresas chega a oferecer um curso de jornalismo online pela módica quantia de R$ 40. Não a mensalidade: o curso todo.

A campanha dos jornais contra o diploma ainda vai dar credibilidade à escola de jornalismo das Organizações Tabajara.

Depois do extermínio, a reencarnação

Do Observatório da Imprensa:

Por ALBERTO DINES

Liquidada pelo lobby das empresas de comunicação, há sinais de que, em breve, a Lei de Imprensa ressuscitará de alguma maneira ou deverá reencarnar-se em outro estatuto legal. Quem oferece estes sinais é o mesmo grupo exterminador que há dois meses, sem qualquer preocupação com as conseqüências do vazio legal, decidiu sepultá-la.

Dois destes sinais foram emitidos há poucos dias, quase simultaneamente. Na sua edição do último fim de semana, (n° 2.121, 15/07) Veja publicou um impactante anúncio de página dupla na serie comemorativa dos seus 40 anos com a proposta de uma nova Lei de Imprensa. No texto está dito que "...o fim da lei dos tempos da ditadura foi um avanço. É recomendável [grifo nosso] porém a criação de uma lei sucinta para delimitar o valor das ações de direito de resposta e de dano moral..."

Recomendável ou imprescindível?

Coincidentemente, no dia seguinte (segunda, 13/7), a Folha de S.Paulo inseriu, na sua página 3, artigo do jurista Marcelo Nobre (representante da Câmara Federal no Conselho Nacional de Justiça), filho do inesquecível Freitas Nobre, que afirma taxativamente: "Há que encontrar uma regulamentação que permita a coexistência da imprensa livre e de um cidadão protegido em sua privacidade". Nobre acredita que "somente uma lei especial de informação pode garantir este direito".

Em outras palavras: a Lei de Imprensa está morta, viva a nova Lei de Imprensa.

Lobby irresponsável

Veja e Folha parecem excepcionalmente responsáveis. Irresponsável foi o lobby das empresas de mídia – do qual ambas fazem parte – que iludiu a sociedade brasileira e pressionou indevidamente o Supremo Tribunal Federal para banir integralmente a lei 5.250, mais conhecida como Lei de Imprensa.

Antes do STF curvar-se à falácia do "entulho autoritário" este Observatório da Imprensa advertia para os perigos de suprimir integralmente um estatuto legal sem examinar com a necessária prudência todas as conseqüências do ato. Juristas do gabarito de Miguel Reale Jr. e Manuel Alceu Ferreira manifestaram-se categoricamente contra a supressão total da Lei de Imprensa. Porém, a soma das arrogâncias midiática e jurídica não permitiu que fossem ouvidos.

O lobby da mídia preferiu silenciar, não lhe interessava moderar o radicalismo com algumas gotas de sensatez nem travar o seu rolo compressor. Agora, com inaudita desfaçatez e impudência, tenta apresentar-se como fator de equilíbrio. Evidentemente, não está preocupado com a sua credibilidade, representa uma indústria como outra qualquer que, embora não fabrique salsichas, enlata qualquer trambique ideológico por mais simplório que seja.

No entanto, ficou comprometida a imagem do STF como uma corte sábia e ponderada, capaz de colocar-se acima das pressões dos lobbies. Os magistrados da suprema instância adotaram uma decisão que de antemão sabiam ser precária.

Diploma e regulamentação

Resta saber quando começará o reexame da Desastrosa Decisão Número Dois: aquela que acabou com a obrigatoriedade do diploma e a especificidade da atividade jornalística. Não faltam indícios de que esta revisão seguirá o mesmo figurino da anterior: mudará de nome e aparências.

Nas duas últimas semanas foram regulamentadas duas profissões: a dos moto-taxistas e, no Distrito Federal, a dos flanelinhas, guardadores de carros. Não foram paridas pelo STF, mas confrontam abertamente a tendência anunciada pelo presidente do Supremo, Gilmar Mendes, de que o mundo caminha para a desregulamentação profissional.

Sua Excelência deve ser um fanático da robótica por isso confia na infinita capacidade do homem em criar máquinas capazes de substituir o homem. Nesta questão não difere muito dos empresários da comunicação que apostam suas poucas fichas no Twitter e nos celulares para substituir jornais, revistas e livros como meios para reproduzir os acontecimentos.

Como acontece nos EUA e Europa, seremos levados a adotar uma obrigatoriedade smart, por meio da qual as empresas jornalísticas serão obrigadas a pagar altíssimos salários aos formados em jornalismo para evitar que a indústria jornalística seja aniquilada pela fragmentação, irresponsabilidade e incompetência.

Enquanto isto não acontece, o lobby da indústria jornalística certamente será forçado a reclamar uma especificidade institucional e, por extensão, uma condição especial para seus agentes. Não percebeu que, ao forçar o nivelamento da atividade jornalística às demais atividades, nivelava-se ela própria às demais indústrias e abdicando da pretensão de ser Quarto (Quinto ou Sexto) Poder.

Convém não esquecer que a democracia sul-americana está estabelecendo novos paradigmas para acomodar seu inato caudilhismo às exigências de um calendário eleitoral e eventual alternância no poder. O primeiro a reclamar será o segmento do coronelismo midiático, incapaz de sobreviver sem manifestar-se e incapaz de manifestar-se sem o decidido suporte de jornalistas diplomados.

O Supremo errou, cabe consertar

Da Agência Carta Maior:

POR LAURINDO LALO LEAL FILHO


Os ministros que votaram contra a exigência do diploma, sob a alegação de cerceamento da liberdade, erraram. Seguiram um relator subserviente à grande mídia, certo de que esta retribuiria o favor, o que aliás já vem acontecendo. Mostraram em seus votos desconhecer a matéria em julgamento. Nunca houve, nos mais de quarenta anos de vigência da lei, qualquer violação da liberdade que tivesse sido decorrente de sua aplicação. Houve, sim, censura prévia durante a ditadura e censura empresarial depois dela, fatos sem nenhuma relação com a exigência do diploma.

O Supremo Tribunal Federal cometeu um grave erro ao acabar com a exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo. Como guardião da Constituição brasileira, o STF entendeu que uma de suas cláusulas – a que garante a livre manifestação de pensamento – estaria sendo violada pela lei que regulamentou a profissão de jornalista.

Os nobres julgadores parecem não ler jornais, ouvir rádio ou ver televisão. Neles, todos os dias opinam profissionais de todas as áreas sem qualquer obstáculo. Portanto, a exigência do diploma não fere a Constituição e esta deveria ser a singela resposta do Supremo aos autores da ação, não por acaso entidades patronais do setor.

Correntes teóricas da comunicação

O que a lei derrubada garantia era a o exercício legalizado de uma profissão cujo conhecimento acumulado ao longo dos anos não pode ser transmitido senão de forma sistematizada, como se faz na academia. Foi-se o tempo em que jornalismo se aprendia nas redações. Hoje esse ensinamento é fruto da pesquisa científica desenvolvida numa área específica do conhecimento e que se transmite nas salas de aulas e nos laboratórios.

Gostaria de saber se alguns dos juízes que votaram contra o diploma – e que escrevem nos jornais com absoluta liberdade – sabem como se define e se produz uma pauta jornalística, como se apuram as informações e como se faz a edição de uma reportagem, por exemplo? Ou ainda, quais são as diferenças entre um texto escrito para ser lido nos jornais, na internet ou para ser ouvido através do rádio? E como escrever para a TV combinando com precisão texto e imagem? Isso não tem nada a ver com liberdade de informação. É conhecimento especializado que sociólogos, advogados e médicos não aprendem em suas faculdades. Só os jornalistas.

E o mais importante: gostaria de saber se esses doutos juízes se debruçaram sobre o currículo teórico dos cursos de Comunicação, base fundamental para o trabalho prático acima descrito. Não há, hoje, jornalista formado que não tenha tido contato com as diferentes correntes teóricas da comunicação, estudadas e discutidas nas faculdades.

Agora, o mercado decide

São essas leituras que permitem aos futuros jornalistas compreender melhor o funcionamento da mídia, as suas relações com os diferentes poderes, os seus interesses muitas vezes subalternos. É nas faculdades que se formam jornalistas críticos, não apenas da sociedade, mas principalmente da mídia, capazes de saber com clareza onde estarão pisando quando se formarem. É tudo que os donos dos meios não querem.

A luta deles pelo fim do diploma resume-se a dois objetivos: destruir a regulamentação da categoria aviltando ainda mais os salários e as condições de trabalho e, ao mesmo tempo, evitar a presença em suas redações de jornalistas que possam, ainda que minimamente, contestar – com conhecimento de causa – o poder por eles exercido sem controle. Querem escolher a dedo pessoas dóceis e subservientes e transformá-las nos "seus" jornalistas.

Transfere-se dessa forma da esfera pública para o setor privado a decisão de definir quem pode ou não ser jornalista. As universidades públicas, quando outorgam um diploma de um dos seus cursos ou quando reconhecem a legitimidade do diploma fornecido por instituição privada, exercem a prerrogativa de possuírem fé pública. O diploma de jornalismo era, portanto, referendado pelo Estado em nome da sociedade, dando a ele a sustentação necessária para o exercício de uma profissão regulamentada desde 1938. Agora é o mercado que decide.

Mobilização e pressão da categoria

Outro argumento ridículo usados pelos juízes do Supremo é que o diploma era um entulho autoritário produzido pela ditadura militar. Bastava uma breve consulta aos anais de todos os encontros e congressos de jornalistas para perceber que tal afirmação é insustentável. Em 1918, quarenta e seis anos antes de se instalar a ditadura de 64, os jornalistas reunidos em Congresso no Rio de Janeiro já defendiam a formação específica em jornalismo para o exercício da profissão. E seguiram lutando por essa bandeira e pela regulamentação profissional.

Em 1961, o presidente Jânio Quadros publicou decreto regulamentando a profissão. A partir daí, o seu exercício ficou restrito aos portadores de diploma específico de nível superior. Como agora, as empresas jornalísticas se mobilizaram e conseguiram, um ano depois, a revogação do decreto pelo presidente João Goulart. Mas, em compensação, foi criada uma comissão para dar nova forma à legislação. O resultado foi a volta da exigência da formação superior, embora admitindo o autodidata e o reconhecimento de jornalistas sem diploma nas cidades em que não havia faculdades de Jornalismo. O decreto-lei de 1969 apenas acabou com o autodidatismo, mas permitiu a existência do jornalista provisionado, aquele que já exercia a profissão antes da promulgação da lei.

Foi graças à mobilização e à pressão da categoria que, depois de mais de 50 anos de luta, conquistou-se a exigência do diploma nos termos previstos desde o final da primeira década do século 20.

A rica experiência de pesquisa

E os juízes de 2009 ainda tiveram a coragem de aceitar a tese de que foi a ditadura que exigiu o diploma para impedir contestações nos jornais. Como se os jornalistas pudessem escrever o que quisessem sem a anuência dos patrões, como se na época não houvesse censura policial e como se todos os possíveis contestadores do regime não estivessem àquela altura mortos, exilados, sendo torturados ou simplesmente calados por força da intimidação.

Voltamos agora à pré-história do jornalismo brasileiro, quando os donos de jornais davam "carteiras de jornalistas" para os empregados e diziam: "Agora você já é jornalista, pode ir buscar o salário lá fora." Se o "jornalista" tivesse algum pudor, iria ganhar seu dinheiro em outra profissão trabalhando no jornal por diletantismo. Se não tivesse, iria usar do seu espaço para ameaçar pessoas, em troca de remuneração. Era o chamado achaque que, obviamente, não era generalizado, mas constrangia os jornalistas idôneos.

A obrigatoriedade do diploma foi responsável pela moralização da profissão. Além disso, estimulou os diplomados a refletirem sistematicamente sobre o seu trabalho. Será que os nobres juízes do Supremo ouviram falar alguma vez na riquíssima experiência de pesquisa, necessária ao trabalho de conclusão de curso, condição para se obter o grau superior de Jornalismo? Acredito que não. E não sabem também como, ao ingressar na profissão com o diploma, o jornalista tem olhos mais atentos para recolher na prática profissional os elementos necessários para a realização de novas pesquisas acadêmicas.

Resta intensificar a luta

São inúmeros os jornalistas que, depois de alguns anos de vida profissional, voltam à academia ingressando em programas de mestrado ou doutorado. Carreiras acadêmicas serão destruídas. E com isso vai se iniciar um processo de destruição de uma área do conhecimento que vinha se consolidando nos últimos anos graças ao investimento dos órgãos de fomento à pesquisa e das universidades. A exigência do diploma é vital para manter viva a relação entre o trabalho e a pesquisa.

Como se vê, além de errarem, os juízes do Supremo foram irresponsáveis por não mediram as conseqüências da decisão tomada.

Mas há conserto. Tramitam no Congresso duas propostas de emenda constitucional determinando a volta da exigência do diploma de nível superior para o exercício da profissão. Não é fácil aprová-las, dadas as exigências regimentais. Na Câmara, por exemplo, precisam do voto favorável de três quintos dos deputados (308 entre 513) e no Senado, de 49 dos 81 senadores. Votos que só serão conseguidos com a mobilização ampla da categoria e dos estudantes, o que aliás já vem ocorrendo em todo o Brasil. Resta agora intensificar essa luta que já se mostrou vitoriosa em outros momentos de nossa história.


Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

Afinal, diploma para quê?

Do Observatório da Imprensa:

Por TOMÁS BARREIROS

Texto produzido a partir de intervenção na lista de discussão do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, em 12/7/2009

O convívio social num país democrático é regulado pelo arcabouço jurídico desse país. E ele precisa ser coerente. No caso do exercício profissional, a legislação construída ao longo do tempo no Brasil impõe regras para que as pessoas possam exercer certas profissões. Isso é, obviamente, uma restrição de liberdade. Como, aliás, toda lei é. Alguém poderia desejar correr a qualquer velocidade no seu carro, passar qualquer cruzamento como bem entendesse. Mas há leis que restringem essa liberdade em benefício da sociedade. Viver em sociedade (contingência humana) implica renúncia a parcelas de liberdade.

Imaginemos um panorama de total liberdade profissional, com qualquer pessoa podendo exercer o ofício que desejasse. Suponhamos que alguém colocasse na sua porta uma placa: "Advogado". E começasse a atender clientes. Poderia sair-se muito bem, e seria recomendado a outras pessoas por seus clientes. Ou poderia acontecer o contrário. Isso seria a regulação pelo mercado. Quem fosse prejudicado pelos maus serviços de um profissional poderia eventualmente acionar a Justiça para ser indenizado. Mas se o cidadão hipotético resolvesse exercer a Medicina e matasse alguém, o prejuízo não poderia ser indenizado...

Como criar um sistema de proteção social que ateste a capacidade de determinada pessoa para exercer certa atividade profissional? Na Idade Média, isso era feito pelas corporações de ofício. Por exemplo: um sapateiro de qualidade reconhecida poderia receber aprendizes, aos quais ele ensinaria seu trabalho, e, conforme o progresso do aprendiz, este poderia ir assumindo algumas tarefas e receberia "títulos" para atestar seu nível profissional: meio-oficial, oficial e, por fim, mestre (sistema que persiste, por exemplo, na construção civil brasileira nas funções de base).

Nada a ver

Com o surgimento das universidades e, depois, dos estados democráticos, a certificação passou a ser feita pelas instituições de ensino. Como acontece no Brasil – e, teoricamente, é um sistema bem ponderado: as instituições de ensino precisam de autorização e reconhecimento do poder público, que as fiscaliza. Assim, teoricamente, há segurança para a sociedade: quem cumpre de modo adequado suas funções de aprendiz recebe um certificado (diploma) atestando que está apto a exercer determinada profissão, e esse certificado só pode ser emitido por instituição credenciada e fiscalizada pelo Poder Público. Tudo muito bem pensado (ao menos na teoria) e feito de modo a garantir segurança ao cidadão, que certamente se sente mais tranquilo ao ser atendido com um médico que tenha um diploma reconhecido "oficialmente".

Por que, então, para o exercício de determinadas profissões é exigido o diploma superior e para outras não? Trata-se de uma questão de legislação construída pela força maior ou menor de determinados grupos profissionais, pela tradição maior ou menor de determinadas carreiras. Ninguém pode ser corretor de imóveis ou massoterapeuta sem o devido registro profissional (nesses casos, obtido após a obtenção de certificados em cursos técnicos). Isso se deve, basicamente, à capacidade de articulação dos envolvidos nesses ofícios, que conseguiram criar democraticamente legislação específica para os seus casos. Corretores de imóveis e administradores têm Conselhos Federais que regulam e fiscalizam o exercício profissional. Músicos e advogados têm suas Ordens profissionais para os mesmos efeitos.

A existência ou não de Conselho ou Ordem de determinada profissão, assim como a exigência ou não de diploma de nível superior para exercício profissional, pouco têm a ver com a suposta importância social dessas profissões. Está relacionada, muito mais, ao poder de articulação e à representatividade de cada categoria.

Nesse sentido, o fim da exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão quase nada tem a ver com a possível importância social da profissão, ou com a liberdade de expressão do pensamento, ou com a determinação constitucional de que o exercício profissional é livre para todo cidadão. Também não está relacionada ao avanço das tecnologias da comunicação, à proliferação dos blogs ou qualquer coisa do gênero.

Dever de todos

Lutar pela exigência do diploma é uma legítima atitude da classe dos jornalistas, dentro das regras da democracia e do arcabouço jurídico-legislativo brasileiro. Não tem nada de obscurantista ou policialesco. E há muitas pessoas, muitas mesmo (e entre elas me incluo) que acreditam que, dadas as atuais regras legais, a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo é adequada, útil e proveitosa não só para os jornalistas, mas para toda a sociedade.

Pensar utopicamente num mundo de maior liberdade para todas as profissões também é aspiração legítima. Que seria do mundo sem os utópicos? Nesse panorama utópico, seria muito bom que não se exigisse diploma superior para qualquer exercício profissional, do médico ao sapateiro. Mas, para isso, e tendo em vista os interesses da sociedade, deveria haver algum sistema que atestasse a capacidade profissional – em alguns casos (como o do sapateiro), o mercado mesmo, em outros, um sistema ainda a ser pensado, talvez um exame aprofundado feito por instituições credenciadas pelo Poder Público. No entanto, eliminar a exigência apenas para os jornalistas é ilógico dentro do nosso arcabouço jurídico.

Por fim – e independentemente de qualquer exigência deste ou daquele diploma para o exercício desta ou daquela profissão –, lutar por uma melhor qualidade do ensino em todos os níveis, e não só no universitário, deveria ser dever de todos. Quando um determinado candidato às últimas eleições presidenciais dizia que a solução para o país só podia estar baseada no tripé: "Educação – Educação – Educação", muitos o ridicularizaram, vários chamavam seu discurso de "samba de uma nota só". Pois eu acredito nesse samba.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

NA IMPRENSA: O que muda na formação do jornalista?

Do jornal "Gazeta do Povo", em matéria de Marcela Campos:


O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, no dia 17 de junho, a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. A decisão trouxe preocupações não só para aqueles que já estão no mercado de trabalho, mas também para os estudantes que sonham em trabalhar nas redações. E deu origem a uma sé­rie de questionamentos. Haverá mudanças nas graduações em Jor­na­lismo? Ainda va­le a pena prestar vestibular pa­ra um curso tão concorrido se profissionais graduados em qualquer área – ou mesmo sem formação superior – poderão trabalhar na imprensa?

Para responder essas per­guntas, o caderno Ves­tibular entrou em contato com as dez instituições que oferecem o curso de Jor­na­lismo em Curitiba e conseguiu falar com nove delas: UFPR, PUCPR, Unibrasil, Uniandrade, Universida­de Positivo, Opet, Facin­ter, Unicuri­tiba e Tuiuti (a Essei foi a única que não respondeu). Duas particulares, a Unian­drade e o Uni­curitiba, disseram que pretendem criar novas modalidades de cursos de Jornalismo em função da decisão do STF.

A Uniandrade planeja manter a graduação tradicional, mas analisa a possibilidade de oferecer um curso sequencial de formação específi­ca na área. Os sequenciais são cursos de nível superior que não são de graduação (não permitem, por exemplo que o aluno faça Mestrado ou Dou­to­rado), voltados à formação específica em um dado campo do saber.

O Unicuritiba afirma que seguirá a tendência caso as universidades comecem a oferecer cursos tecnológicos, com duração menor do que o bacharelado. É o caso da Estácio Ensino Superior – instituição com unidades em 16 estados do país, entre elas a Está­cio Radial Curitiba –, que estuda abrir uma graduação tecnológica voltada preferencialmente para quem já fez outro curso superior. “O novo curso poderá receber pessoas que queiram uma formação mais rápida ou pessoas já graduadas. Mas o ideal mesmo seria o aluno que saiu do ensino médio fazer o bacharelado em Jornalismo”, diz o diretor da área de Comunicação e Ar­tes do Centro de Ensino da instituição, Hugo Silva Santos Junior.

A diretora de regulação e supervisão de educação profissional do MEC, Andrea de Faria Andrade, considera pouco provável que a modalidade seja reconhecida pelo ministério. “Quando há um novo nicho no mercado, há essa possibilidade (de criação de um tecnólogo). Mas o tecnólogo não pode ser visto como uma forma de reducionismo de um curso de bacharelado”, avalia.

Para a UFPR e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), o fim da exigência do diploma não deve provocar mudanças nos currículos dos cursos de Jornalismo ofertados por universidades públicas. “As escolas públicas de Jornalismo não vão se arriscar a comprometer a qualidade da formação”, afirma o chefe do departamento de Comunicação da UFPR, João Somma Neto. “As disciplinas de formação humanística (como Ciência Política e Antropologia) vão ser deixadas de lado nos cursos tecnológicos e o currículo vai se limitar às disciplinas operacionais”, avalia.

Quanto à possibilidade de cursos voltados para profissionais de outras áreas do conhecimento que desejam exercer o jornalismo –como, por exemplo, um médico que pretenda escrever sobre saúde –, nenhuma das instituições declarou a intenção de ofertar este tipo de pós-graduação.

Outras formações

Para o chefe do departamento de Comunicação da UEPG, Marcelo Bronosky, o fato de não se exigir diploma não significa que quem pretende ser jornalista deva partir para outras graduações. Essa também é a opinião da diretora do curso de Jornalismo da PUCPR, Mônica Fort. “Uma pessoa formada em outra área poderá dominar determinadas técnicas de redação para escrever um artigo, por exemplo, mas não saberá a estrutura de produção jornalística, as técnicas de reportagem.”




ENTREVISTA

José Marques de Melo,
Presidente da comissão do MEC que discute mudanças nos cursos de Jornalismo

O fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo não representa um enfraquecimento da graduação na área.Uma comissão do Ministério da Educação (MEC) formada por oito especialistas trabalha desde fevereiro na reforma das diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo. O objetivo é melhorar a qualidade da formação, considerada estratégica pelo governo para o fortalecimento da democracia no país. O presidente da comissão, José Marques de Melo, esteve este mês em Curitiba para debater a revisão dos currículos. Em entrevista ao caderno Vestibular, ele falou sobre a decisão do STF e as principais mudanças propostas para os cursos.

Quando e como a comissão foi formada?

A comissão foi instalada no dia 19 de fevereiro. Em outubro ou novembro do ano passado, o ministro Fernando Haddad me telefonou e me convidou para presidir a comissão. Ele me explicou que está fazendo um trabalho de reformulação do ensino superior brasileiro a partir de quatro áreas estratégicas: Direito, Medicina, Jornalismo e Pedagogia, que são, segundo ele, os quatro pilares para o fortalecimento da democracia.

Organizamos audiências públicas para que todos os segmentos tivessem oportunidade de falar. Fizemos uma consulta com a comunidade acadêmica do Rio de Janeiro e uma no Recife, quando ouvimos empresas, sindicatos, associações profissionais, enfim, quem emprega e quem executa o trabalho. E concluímos a rodada em São Paulo, ouvindo a sociedade civil organizada, os destinatários e as fontes do jornalismo. Enquanto isso, abrimos na página do MEC na internet uma consulta a quem quisesse se manifestar. Com base nesses elementos, é que nós fizemos as novas diretrizes curriculares.

Quais são as principais mudanças sugeridas pela comissão?

A filosofia da comissão é a seguinte: nós estamos querendo melhorar o que está aí e não inventar a roda. Nossa preocupação foi fazer um currículo para o curso de Jornalismo, desmembrando-o da Comunicação Social. Será um currículo para formar jornalistas e não comunicadores. É claro que nesse processo de formação os alunos vão estudar os processos de comunicação, as teorias da comunicação, mas vão afunilar no jornalismo. A formação humanística também precisa ser reforçada. O jornalista precisa ter conteúdos para colocar nas notícias, nos comentários. Estamos reforçando ainda a formação que nós chamamos de contextual, que é a capacidade de entender os processos de comunicação e a relação do jornalismo com as outras áreas comunicacionais. Além disso, propomos a restauração do estágio supervisionado, que vai contar 200 horas na carga horária dos cursos. Hoje em dia o jornalismo é única profissão que não tem estágio. Sugerimos ainda a criação de um conjunto de atividades complementares, além do currículo obrigatório: haverá 300 horas para que o aluno escolha a área de conhecimento em que quer melhorar a sua formação. Estamos recomendando que a carga horária total do curso seja de 3,2 mil horas. Hoje são 2,7 mil.

Quais serão os próximos passos da comissão?

Temos até 19 de agosto para entregar o relatório para o ministro. Depois o documento será enviado ao Conselho Nacional de Educação e, se for aprovado, todos os cursos existentes terão que se adaptar às novas diretrizes curriculares. Mas você não pode obrigar o estudante que entrou em um determinado regime a cursar outro. As mudanças vão valer para as novas turmas.

Como a comissão recebeu a notícia do fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão?

Nós recebemos a notícia tranquilamente. Não nos cabe omitir opinião sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal.

Mas está sendo estudada ou foi proposta alguma mudança como consequência dessa decisão?

Não. Quando nós começamos a trabalhar era para melhorar a formação do jornalista no Brasil, que, com ou sem diploma, tem de ser melhorada. A decisão do STF é só mais uma razão para o ensino ser melhorado. Mas a falta de regulamentação do mercado profissional permite que se tenha no Brasil o que se tem nos Estados Unidos e em outros países há cem anos.

Há médicos, engenheiros, cientistas políticos que podem fazer um mestrado profissional de dois anos em Jornalismo. Entendemos que essa é uma possibilidade tanto para que o jornalista diplomado aprenda conteúdos quanto para que o diplomado em outras áreas tenha a chance de se preparar para colaborar com os jornais.

Algumas instituições de ensino estudam abrir cursos de tecnologia em Jornalismo, com menor duração do que o bacharelado. Esses cursos não enfraqueceriam a formação do profissional da imprensa?

Se isso for verdade mesmo, não será com o aval da comissão. Estamos recomendado melhorar a graduação plena em Jornalismo. Quanto mais rápido o profissional for para o mercado de trabalho, melhor será. Mas ele tem que ir preparado. Se o aluno conseguir cumprir as 3,2 mil horas em dois anos, não vejo problema.

SBPC defende formação acadêmica e qualidade do jornalismo

Abertura da 61ª reunião da SBPC, realizada em Manaus. Foto: unbagencianasbpc.blogspot.com

Do site da Fenaj:


A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestou apoio ao movimento em defesa do diploma, da formação e da valorização dos jornalistas. O posicionamento foi aprovado na 61ª Reunião da SBPC, realizada em Manaus (AM), de 12 a 17 de julho. No documento é registrado que o progresso da ciência e a democracia no Brasil devem muito aos jornalistas.

A Carta de Manaus alerta a sociedade para a defesa do ensino e da pesquisa em todos os níveis. E acentua que a posição do STF sobre o diploma dos jornalistas, além de retirar direitos dos trabalhadores e assegurar os interesses de grupos empresariais de comunicação, banaliza a capacitação profissional em um país onde a Educação é um problema a ser resolvido.

A manifestação, aprovada na mesa redonda “Ética na Comunicação de Assuntos Amazônicos”, expressa apoio à construção da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma e às Propostas de Emenda Constitucional para restabelecer esta exigência como requisito para o exercício da profissão.

Leia, a seguir, a íntegra do documento.

Carta de Manaus em Defesa dos Jornalistas e da Qualidade da Informação, na 61ª Reunião da SBPC

Os pesquisadores, profissionais, estudantes e cidadãos participantes da 61ª. Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Manaus (AM), no período de 12 a 17 de julho de 2009, e que integraram a mesa redonda que discutiu a ‘Ética na Comunicação de Assuntos Amazônicos’, vêm a público manifestar seu apoio em defesa do diploma, da formação e da valorização dos jornalistas, como forma de estimular o ensino e garantir a boa qualidade da informação consumida pela sociedade.

Os participantes da Mesa de Ética reafirmaram a necessidade de organizar e mobilizar a população contra a lamentável decisão do Judiciário brasileiro. A posição do Supremo Tribunal Federal (STF) retira direitos dos trabalhadores, assegura interesses de grupos empresariais que dirigem a circulação de informação no Brasil e, o mais grave, banaliza a capacitação profissional em um país onde a Educação é um problema a ser urgentemente resolvido.

A Carta de Manaus é um alerta, um chamado a toda sociedade para a defesa do ensino e da pesquisa em todos os níveis. A defesa do diploma de jornalista deve ser um compromisso dos participantes da Mesa que discutiu Ética na 61ª. Reunião da SBPC, que reconhece na profissão uma importância específica na produção, divulgação e reprodução do conhecimento através de profissionais qualificados a partir da academia. É muito mais. Revela a importância de uma atividade fundamental para o exercício e desenvolvimento da cidadania, por meio da informação e formação da opinião pública.

Este coletivo vê como temerária a decisão do STF, que põe fim a exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão, sob o argumento de que a lei é inconstitucional e ameaça a liberdade de expressão. A interpretação da corte maior da Justiça do Brasil é perigosa no sentido que pode atingir outras profissões já regulamentadas, pois entendemos que essa é uma prerrogativa do Poder Legislativo, portanto, exclusiva do Congresso Nacional e o seu não cumprimento coloca em xeque o Estado de Direito que tem como princípios basilares o equilíbrio entre os poderes constituídos.

Estamos de acordo e apoiamos a atuação da Frente Parlamentar no Congresso Nacional, que defende a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para regulamentar na Carta Magna a profissão de jornalista. Reafirmamos nosso apoio e aderimos ao movimento nacional que defende a formação e valorização dos jornalistas pelas razões já expostas e por reconhecer que o progresso da ciência e a democracia brasileira devem muito ao exercício desses profissionais jornalistas.

Manaus (AM), 17 de Julho de 2009.


Para saber mais sobre a reunião da SBPC, acesse: http://www.sbpcnet.org.br/manaus/

domingo, 19 de julho de 2009

Assista a reportagens sobre protesto do Sindijor-PR em defesa do diploma de jornalista

A manifestação aconteceu no último dia 24 de junho, sob chuva, na esquina das Marechais, no Centro da capital paranaense.

Assista à reportagem da TV Tarobá, de Cascavel:


Link original do vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=S9QZe_3itTk




Assista também à matéria da TV Bandeirantes:



Link original do vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=RMlwlHdGj7I




Da Paraná Educativa:



Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=inIPT1UxGWU




Da TV Iguaçu:



Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ctwSQfM7eUc




E da RIC TV:



Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=i8kmh7ueVu8

sábado, 18 de julho de 2009