quarta-feira, 7 de abril de 2010

Mensagem de uma estudante de Jornalismo

Ivina Carla *

O dia do jornalista é comemorado desde a fundação da Associação Brasileira de Imprensa, em 1908. De lá pra cá, muitas conquistas podem ser contabilizadas, como a regulamentação da profissão do jornalista, luta por piso salarial, carga-horária de trabalho entre outras bandeiras de mobilização da categoria. Estamos em 2010 e me pergunto, o que esse dia significa para os jornalistas e para a sociedade brasileira?

Posso qualificar a realidade posta e vivida como humilhante. O profissional que atua com a difusão da informação, está sendo massacrado (essa é a palavra certa) dentro das redações, por trás das câmeras, todos os dias e, infelizmente, a sociedade brasileira não tem acesso a isso. E por motivos óbvios, pois não existe esse tipo de veiculação nos veículos de comunicação em geral. Falam de violência contra os jornalistas: uma forma de violência são os ataques aos direitos trabalhistas, que vão desde os reajustes míseros (no caso do Paraná, são 13 anos sem aumento real) oferecidos, como as condições de trabalho – falta de estrutura adequada.

Saímos da ditadura militar, que também oprimiu, torturou e matou jornalistas e hoje esbarramos na ditadura midiática. Só mudou a nomenclatura, mas o problema continua, o jornalista é pressionado a dançar conforme a música da empresa e isso é uma tentativa cotidiana de eliminar o Código de Ética e fazer com que os profissionais sejam submetidos, exclusivamente aos interesses do mercado.

Ainda como estudante, consigo compreender que as categorias de classe sofrem com a onda neoliberal, capitalista, que prega todos os dias o individualismo, sempre na perspectiva da fragmentação da luta social. Mas como se pensar em melhorias sem unidade de ação? O que é ser jornalista pra você? É montar uma pauta, escrever um periódico, fazer uma sonora, cumprir o receituário que permeia o dia-a-dia das redações? Acredito que não. Ser jornalista é adotar a postura da transformação social, é ser protagonista de uma história e não ser um "mero" contador dela. É participar da luta diária, organizada, entendendo que o seu papel social é cumprido quando o retorno para a sociedade vai além da divulgação de uma informação.

Esse dia, 07 de abril, deve ser de reflexão e ação, não podemos permitir que seja tratado de forma superficial ou sem importância. Temos muita luta pela frente, como o restabelecimento da obrigatoriedade da formação superior para o exercício profissional, a aprovação de uma nova lei de imprensa, a valorização da categoria, a criação do Conselho Federal de Jornalistas, entre outras bandeiras que são questões vinculadas ao direito à informação como direito humano fundamental, essencial para o desenvolvimento do país.

Libertar os jornalistas das amarras da ditadura midiática deve ser um trabalho diário, preparando assim o terreno para os que virão (como eu) e pautar o debate sobre democratização dos meios de comunicação na sociedade, só assim podemos nos aproximar da tão sonhada imprensa democrática e livre no Brasil. É um trabalho árduo, mas como dizia Che Guevara "A única luta que se perde é a que se abandona" – e essa eu sei que muitos jornalistas combativos não abandonaram.

* Ivina Carla é estudante do quinto período de Jornalismo nas FAC (Fortaleza-CE).

2 comentários:

Marcela Carolina Costa disse...

Ivina,suas palavras foram a expressão mais pura da realidade de hoje. Orgulho-me muito da nossa escolha e mais ainda da suas palavras. Obrigada pela garra!

Inácio Carvalho disse...

Essa Ívina é quentchura!!!! Uma ótima e aguerrida argumetadora, que certamente será uam jornalista protagonista e não uma contadora de história, ou espectadora passiva. Um beijo pra vc...